Biden apoia adesão da Geórgia à Otan mas pede mais democracia

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, defendeu nesta quinta-feira em Tbilisi a integridade territorial da Geórgia e o desejo deste país de aderir à Otan, mas pediu maiores avanços democráticos na ex-república soviética.

AFP |

"Queremos uma Geórgia livre, segura, democrática e unificada", declarou Biden diante do Parlamento georgiano.

Um ano depois da guerra travada pela Rússia e a Geórgia em agosto de 2008, Moscou reconheceu a independência de duas regiões georgianas separatistas, a Abkházia e a Ossétia do Sul.

"Apoiamos plenamente o desejo da Geórgia de aderir à Otan", prosseguiu Biden.

As esperanças da Geórgia de aderir à Otan diminuiram muito depois da guerra. O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, admitiu em entrevista publicada segunda-feira pelo Wall Street Journal que elas estavam "praticamente mortas".

Biden expressou terça-feira o mesmo apoio à Ucrânia, outra ex-república soviética pró-ocidental que, assim como a Geórgia, mantém relações complicadas com a Rússia.

Nesta quinta-feira, o vice-presidente americano reiterou a oposição dos Estados Unidos à "noção de esferas de influência que datam do século XIX e não têm lugar no século XXI", em clara referência à Rússia.

Em agosto de 2008, Rússia e Geórgia se enfrentaram pelo controle do território separatista georgiano da Ossétia do Sul.

"Uma injustiça histórica foi cometida contra a Geórgia. Houve aqui uma limpeza étnica somente comparável à de Darfur", no Sudão, denunciou Saakashvili durante sua reunião com Biden.

Ao mesmo tempo que reafirmou o apoio dos Estados Unidos à Geórgia, o vice-presidente americano pediu mais democracia na ex-república soviética.

"É preciso fazer muito mais" para consolidar a democracia na Geórgia, declarou Biden, depois de ter se encontrado com quatro dirigentes da oposição georgiana.

A oposição exige a renúncia de Saakashvili, no poder desde 2003, criticado por sua gestão do conflito com a Rússia e seu autoritarismo.

"Recebemos uma promessa concreta do governo americano, a de que o desenvolvimento de reformas democráticas será crucial no futuro nas relações entre a Geórgia e os Estados Unidos", declarou o líder opositor Irakli Alassania depois da reunião com Biden.

A Rússia reagiu à visita de Biden a Tbilisi afirmando estar tomando "providências concretas" frente ao "rearmamento da Geórgia" e denunciando novamente as manobras americanas na região.

"Vamos continuar nos opondo a um rearmamento do regime de Saakashvili, e estamos tomando providências concretas para isso", avisou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Grigori Karassin.

Em alusão aos Estados Unidos, Karassin acusou "alguns países" de "atuarem por baixo do pano" e de "utilizarem o pretexto da ajuda humanitária para cooperar militarmente com a Geórgia".

O presidente do Parlamento georgiano, David Bakrazdé, desmentiu qualquer discussão sobre venda de armas durante a visita de Biden.

"Não falamos de questões específicas como a venda de armas à Geórgia", afirmou ele à AFP.

Entretanto, Joe Biden destacou que Washington está trabalhando com a Geórgia "para manter suas forças armadas e ajudá-la a treinar e a se organizar".

im/yw

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