BID encerra assembléia anual com apelos por uma maior capacidade de crédito

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) encerra nesta terça-feira sua assembléia anual em Miami com pedidos de vários países - como o Brasil - para que a instituição melhore sua capacidade e agilidade para conceder créditos às nações da América Latina e do Caribe.

AFP |

O ministro brasileiro do Planejamento, Paulo Bernardo, reclamou que o BID apresenta uma capacidade de financiamento limitada em um "momento crítico" para a região, afirmando que a instituição deveria buscar alternativas para incrementar sua política de créditos.

O encontro do BID foi realizado em um contexto de tensão nos mercados financeiros internacionais, sem que haja ainda uma perspectiva clara sobre os efeitos que a crise no mercado hipotecário americano pode ter sobre a região.

Após cinco dias de deliberações entre ministros da Economia das Américas, no entanto, a assembléia do BID alcançou um consenso a respeito da boa posição da América Latina e do Caribe para enfrentar a atual conjuntura.

"O BID tem hoje uma demanda de financiamento que supera seu limite atual para empréstimos e garantias de crédito, que é de cerca de 8 bilhões de dólares", apontou Bernardo em seu discurso na assembléia anual.

"Isso significa que a capacidade de emprestar do banco se encontra comprometida em um momento crítico para a região", continuou.

Por esse motivo, o Brasil recomendou à instituição que busque "alternativas financeiras que aumentem a capacidade de intervenção do banco".

O BID deve "implementar um aumento gradual, mas significativo, da janela para o financiamento soberano", disse ainda o ministro brasileiro.

Para Bernardo, no atual contexto seria "difícil" que que os termos de intercâmbio comercial "continuem em diferenciais tão favoráveis para a região" ou que a liquidez que nos últimos anos beneficiou as economias da América Latina e do Caribe permaneça elevada.

O brasileiro fez ainda um apelo às autoridades do banco para que "não percam de vista que esta instituição é e sempre será uma cooperativa de crédito entre nações, e que sua relevância depende fundamentalmente da capacidade de prover recursos para o desenvolvimento dos setores públicos e privados latino-americanos e do Caribe".

O BID, que passa por um processo de reformas internas impulsionado por seu presidente, o colombiano Luis Alberto Moreno, informou em seu relatório anual que entregou ou prometeu um total de 9,6 bilhões de dólares em créditos, garantias de crédito e doações em 2007.

Moreno reconheceu que "o banco deve ter uma capacidade mais forte para emprestar, e acompanhar os países quando estes precisarem estabelecer políticas 'contracíclicas' - ou seja, gastar mais para amortizar os efeitos de uma recessão".

O presidente do BID, que por sua vez declarou que seu desejo é tornar o banco mais dinâmico na concessão de financiamentos, recebeu também um pedido do Equador para que fosse criado um mecanismo de linhas de crédito de rápida liberação para ajudar em caso de desastres naturais.

O ministro equatoriano da Economia, Fausto Ortiz, propôs a criação de um sistema de financiamento rápido "que seja ativado quando acontecerem catástrofes" naturais.

Desde o início do ano, o Equador vive o período de chuvas mais mortal da última década - já são 50 mortos desde fevereiro, além de meio milhão de pessoas afetadas diretamente, mais de 60.000 evacuados e cerca de 300.000 hectares de plantações perdidas ou danificadas, segundo estimativas oficiais.

Em 2005, o BID lançou um "Plano de ação para melhorar a gestão do risco de desastres", focado principalmente na assistência à prevenção dos efeitos das catástrofes naturais na região, explicou o banco em seu relatório anual.

Na reunião de 2009, que será realizada em Medellín, na Colômbia, o BID celebrará seus 50 anos de existência.

mr/ap/sd

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