Bicicletas de Copenhague são exemplo para grandes cidades

Por Henriette Jacobsen COPENHAGUE (Reuters Life!) - O mundo está reunido em Copenhague para a conferência climática da ONU, mas a capital dinamarquesa também empresta seu nome para um movimento mundial que congrega cidades que tentam encontrar formas mais sustentáveis de transporte.

Reuters |

Quase 40 por cento da população de Copenhague usam a bicicleta para ir ao trabalho e à escola através de ciclovias. Muitos moradores pedalam o ano inteiro, sem se importar com a chuva e a neve. Há mais bicicletas do que pessoas em Copenhague.

"Só quando há meio metro de neve lá fora eu cogito usar o metrô", disse a estudante Louise Kristensen, de 24 anos.

Amsterdã e Pequim também são conhecidas por suas bicicletas, mas é na capital dinamarquesa que os urbanistas de todo o mundo têm buscado formas de "copenhaguenizar" suas cidades, ou seja, fazer com que as populações substituam o carro pelas bicicletas.

"Estamos tentando alcançar um equilíbrio na nossa rede de transportes, o que significa ter ruas que possam acomodar todos", disse a comissária de transportes de Nova York, Janette Sadik-Khan.

Klaus Bondam, diretor técnico-ambiental da cidade de Copenhague, se considera um "megaciclista" e diz que a popularidade da bicicleta deriva em parte dos elevados impostos sobre os veículos automotores, o que fez com que a classe operária dinamarquesa não pudesse ter carros nas décadas de 1930 e 40.

"Hoje você encontra todo mundo nas ciclovias - mulheres e homens, ricos e pobres, velhos e jovens", disse Bondam.

Nos últimos três anos a prefeitura investiu cerca de 50 milhões de dólares na construção de ciclovias e na segurança dos ciclistas. Além disso, por lei a neve tem de ser retirada primeiro das ciclovias, e só depois das pistas para carros.

Cerca de um terço da população se desloca de carro, cerca de um terço usa o transporte público, e 37 por cento pedalam - uma cifra que a prefeitura pretende elevar a 50 por cento até 2015.

Bondam disse que a população se beneficia de várias maneiras: menos poluição e barulho, mais saúde e até uma maior sensação de segurança. Com menos carros estacionados, sobra mais espaço para áreas de lazer infantil, parques, comércio e outras atividades.

O dirigente admitiu que é impossível acabar com os carros, mas defendeu que estes sejam elétricos e não movidos a combustíveis fósseis, que é a principal origem das emissões de gases-estufa.

O arquiteto Jan Gehl, que criou o termo "copenhaguenização", já ajudou várias cidades do mundo a se adaptarem ao conceito, como Nova York, Seattle, San Francisco, Londres, Estocolmo, Oslo, Melbourne, Sydney e Amã.

"Dependendo da cultura, da região, do clima e da topografia, há boas soluções para cada cidade".

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