Betancourt vira estrela no show de Paris pela libertação de reféns

Ángel Calvo Paris, 20 jul (EFE).- A franco-colombiana Ingrid Betancourt foi hoje a grande estrela do show organizado em Paris para exigir a libertação de todos aqueles que são mantidos reféns na Colômbia.

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Com os cantores Juanes e Miguel Bosé como convidados, o espetáculo atraiu um público formado, em sua maior parte, por colombianos que aplaudiram várias vezes seu presidente, Álvaro Uribe.

Betancourt, libertada no último dia 2 com outros 14 reféns que estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), falou às milhares de pessoas (15 mil, segundo os organizadores, e cerca de oito mil, segundo a Polícia) que foram a Trocadero, na capital francesa, para reivindicar "liberdade para todos".

Em espanhol, Betancourt primeiramente lembrou que hoje, Dia da Independência da Colômbia, é "um dia de fraternidade e de união entre todos os colombianos". Depois, pediu ao chefe máximo das Farc, "Alfonso Cano", que "veja esta Colômbia, veja a mão estendida do presidente Uribe".

"Entenda que já não é hora de derramar mais sangue. É hora de deixar esses fuzis e trocá-los por rosas, de abandoná-los pela tolerância, por respeito, como irmãos que somos; (é hora de) buscar uma maneira de todos caberem no mundo, de caberem na Colômbia", acrescentou a ex-candidata à Presidência da Colômbia em sua mensagem ao número um na hierarquia das Farc.

Betancourt afirmou que "o amor é a única coisa que nos move", agradeceu a Deus e à Virgem Maria, e convidou os presentes a "sonharem que, com o amor, é possível mudar o mundo".

A franco-colombiana, que discursou depois de Juanes cantar o hino nacional da Colômbia, também não se esqueceu de homenagear Uribe e os militares que tornaram possível sua libertação, aos quais se referiu como "heróis".

Mas, acima de tudo, Betancourt frisou que "é necessário dar continuidade às mobilizações" por aqueles que permanecem em poder de seq6uestradores: "Hoje, ainda há três mil reféns na Colômbia".

Nesse momento, a ex-candidata à Presidência da Colômbia citou os nomes de alguns companheiros de cativeiro que permanecem na floresta. Ao mesmo tempo, no palco, que tinha como fundo uma enorme bandeira colombiana com a mensagem "Liberdade e Paz", eram exibidos cartazes com as fotografias dessas pessoas.

Depois, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, que teve uma bandeira colombiana colocada por Betancourt sobre suas costas, lembrou que, durante os quase seis anos e meio de seqüestro da franco-colombiana, a cidade "fez o que pôde para que fosse libertada".

"Nosso dever é continuar lutando pela liberdade e, em particular, pelos reféns na Colômbia", declarou Delanoë, que também lembrou o soldado franco-israelense Gilad Shalit, em mãos de facções palestinas desde 2006.

O prefeito da capital francesa aproveitou uma transmissão ao vivo para Bogotá para afirmar ao prefeito da capital colombiana, Samuel Moreno, que "o povo de Paris quer dizer a todos os reféns que eles não estão sozinhos": "Todos (nós) estamos com todos vocês".

Moreno, tomando a palavra, ressaltou: "Queremos que todos nos sejam devolvidos sãos e salvos".

Além disso, expressou a esperança de que o "grito de liberdade e de independência" da mobilização de hoje seja escutado no mundo todo, "mas que seja escutado, sobretudo, na floresta da Colômbia", em alusão direta ao reduto das Farc. EFE ac/bm/sc

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