La Paz, 6 dez (EFE).- A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt disse hoje em La Paz que o presidente boliviano, Evo Morales, é um exemplo de que a esquerda pode chegar ao poder pela via democrática.

Betancourt se reuniu hoje com Morales por mais de uma hora no Palácio do Governo de La Paz, em meio a uma viagem que realiza para defender a liberdade de outros reféns das Farc.

Morales não fez declarações sobre sua reunião com Betancourt, mas o vice-ministro de Coordenação de Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, destacou que foi um encontro "cordial" no qual houve uma discussão sobre a realidade da América Latina.

Em coletiva de imprensa, Betancourt destacou que há alguns anos ninguém acreditava na América Latina que uma pessoa de origem indígena poderia chegar ao poder.

A ex-refém diz que o fato de Morales ter chegado ao poder na Bolívia "pela via democrática" em meio a dificuldades internas é algo "valioso" que ela "admira".

Morales é um indígena aimara que chegou ao poder em janeiro de 2006 com um alto apoio nas urnas e seu mandato foi ratificado em agosto passado em referendo.

Betancourt ressaltou que o fato de muitos presidentes da "esquerda revolucionária" terem chegado ao poder na América Latina pelas urnas "é prova indubitável de que as Farc estão equivocadas" em seu país.

"As Farc têm que entender que não há nenhuma justificativa para roubar, matar e seqüestrar para chegar ao poder", disse Betancourt, que frisou que na América Latina fica claro "que se pode ser uma opção de esquerda pela via democrática e ter sucesso".

Já Llorenti ressaltou que o presidente Morales considera que a luta política "tem que ser democrática" pelas vias eleitorais e que "de modo algum se pode justificar o levantamento de armas", "nem o seqüestro, nem a extorsão".

A Bolívia é a penúltima etapa da viagem que Betancourt pretende encerrar na Venezuela, antes de retornar à França.

A franco-colombiana já encontrou com os presidentes de Equador, Argentina, Chile, Peru e Brasil, de onde viajou na sexta-feira a La Paz. EFE ja/rr

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