PARIS - A ex-refém Ingrid Betancourt recebeu, nesta, segunda-feira uma das mais importantes honrarias da França e disse que os que continuavam nas mãos de guerrilheiros colombianos estariam recebendo um tratamento ainda pior por causa do resgate que a beneficiou pouco tempo atrás.

Em uma cerimônia realizada nos jardins do Palácio do Eliseu e transmitida ao vivo por canais de TV, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, presenteou Betancourt com a medalha do Cavaleiro da Legião de Honra, colocando-a no vestido dela.

A ex-refém foi resgatada por militares colombianos no começo deste mês depois de passar mais de seis anos em acampamentos de selva, sob o poder da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que ainda mantêm centenas de pessoas sequestradas.

'Meu coração verte sangue porque meus companheiros de infortúnio, outros colombianos iguais a mim, continuam ainda nas mãos das Farc', afirmou Betancourt a uma multidão reunida no gramado do palácio, na segunda-feira (feriado nacional na França).

'Eles não possuem nenhuma voz, estão sozinhos e provavelmente recebem um tratamento ainda pior do que antes do ocorrido dez dias atrás. Suas correntes tornaram-se, provavelmente, ainda mais curtas do que antes', afirmou.

Betancourt, que possui dupla nacionalidade (francesa e colombiana), contou ter ficado acorrentada a árvores durante várias vezes em seu período de cativeiro e descreveu como desumano o tratamento recebido das Farc.

'Ingrid, você é um símbolo de esperança', disse Sarkozy.

Betancourt e outros 14 reféns foram libertados depois de homens das Forças Armadas terem enganado alguns combatentes das Farc, convencendo-os a entregar-lhes o grupo de sequestrados depois de fingir serem uma organização não-governamental disposta a ajudar no contato entre membros da liderança da guerrilha.

A franco-colombiana voou para Paris 48 horas depois de sua libertação e não deixou claro ainda se pretende regressar para a Colômbia.

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