Betancourt quer descansar sua imagem na mídia

Paris, 11 jul (EFE) - A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, resgatada depois de mais de seis anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse hoje que está muito cansada e que quer deixar de aparecer intensamente na mídia, como tem feito desde que foi libertada, no dia 2. Preciso parar e fazer uma espécie de retirada, afirmou Betancourt em entrevista à emissora de rádio francesa Europe 1, que sofreu um atraso de 20 minutos porque, esta manhã, a ex-refém achou impossível fisicamente se levantar no horário. Acho que será minha última entrevista, disse, após se desculpar pelo atraso. Betancourt passou por uma bateria de exames médicos desde que chegou à França, na sexta-feira da semana passada. Os testes não revelaram problemas de saúde particulares, apesar das doenças que teria sofrido durante seu cativeiro.

EFE |

Sobre seus planos imediatos, Betancourt contou que hoje mesmo irá ao santuário de Lourdes, no sul da França, e que depois tirará férias.

Em qualquer caso, e após admitir que "uma pessoa se habitua rapidamente às coisas boas", disse que "não gostaria de perder de vista o privilégio" que tem em relação aos outros seqüestrados que continuam na selva.

Se a "França se mobilizou por mim, tem que se mobilizar pelo resto", reiterou.

Com esse mesmo objetivo, considerou "muito importante" a reunião que terá neste domingo em Paris com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. "A ONU tem que agir, tem que nos ajudar", afirmou.

Questionada sobre as "coisas atrozes" que vivenciou no cativeiro, respondeu: "Sei que terei que falar", mas até agora "não disse nada à minha família (...), porque não consigo fisicamente tirar isso de mim", já que "foi muito duro psicologicamente" e "é muito duro falar".

"As Farc teriam me matado se não tivesse havido a pressão da França", disse, antes de destacar que tentou fugir várias vezes e que, embora fosse castigada, não a executaram, como fizeram com um soldado que tentou escapar apenas uma vez.

Betancourt não quis entrar na polêmica de se sua libertação foi uma vitória do presidente colombiano, Álvaro Uribe, sobre o francês, Nicolas Sarkozy: "Acho que o êxito é de todo o mundo".

"Se a França não tivesse intervindo como fez, não estaria aqui", reiterou, já que se as autoridades colombianas optaram por uma operação que evitava o uso da força foi porque a "França exigiu isso publicamente".

A ex-refém admitiu que, agora, uma ação como a que a libertou não seria possível, porque os guerrilheiros estão de sobreaviso, mas lembrou que, para ela, "o importante é a conservação da vida dos reféns".

Betancourt justificou as freqüentes alusões que fez desde que foi libertada à sua religiosidade pelo fato de que antes "tinha uma fé de rito" e, agora, tem uma "fé de testemunho".

"Não posso fazer nada além de dar testemunho do que vivi. Para mim, Nossa Senhora não é só uma imagem. Esteve comigo em cada instante e ainda está", ressaltou.

Perguntada sobre se pensa em voltar à Colômbia e se cogita viver no país com a família, respondeu que precisa se "refazer por um tempo", e, embora "certamente" retorne à nação, afirmou que os parentes insistem em que "não se deve ser imprudente".

Concretamente, os familiares alegam que, para eles e para todos os que lutaram para que pudesse recuperar a liberdade, "não é justo que se coloque em uma situação de imprudência e que talvez as Farc queiram fazer algo".

"Voltarei à Colômbia, mas de modo que não crie preocupação à minha família. O mínimo é ser prudente", afirmou.

Betancourt disse precisar de tempo para decidir se continua na política e de que forma: "Minha ambição não é ser presidente da Colômbia (...). Há outros espaços onde se pode ajudar os demais".

EFE ac/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG