Betancourt pede reconhecimento internacional para vítimas de terrorismo

Nações Unidas, 9 set (EFE) - A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt pediu hoje que a ONU forneça um status internacional às vítimas do terrorismo que permita que elas saiam do anonimato e as ajude a reivindicar seus direitos. A ex-candidata presidencial colombiana fez o pedido durante seu discurso na primeira reunião mundial de vítimas do terrorismo convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Em seu pronunciamento, o dirigente da organização defendeu que as vítimas do terrorismo recebam solidariedade internacional e reconhecimento social, assim como que se compreendam e atendam suas necessidades. O terrorismo é mundial. Pode afetar todo o mundo, em qualquer lugar.

EFE |

Tem entre seus alvos grupos étnicos, religiões, nacionalidades e civilizações. Ataca a própria humanidade", afirmou.

"Alguns de vocês (vítimas) foram feridos em atentados terroristas e seus ferimentos lembram diariamente a brutalidade do terrorismo.

Alguns foram seqüestrados e privados do direito mais fundamental: a liberdade", acrescentou Ban.

Já Betancourt destacou que "o maior perigo para as vítimas do terrorismo é que sejam esquecidas".

Ela afirmou que é um dever "indispensável" que as vítimas tenham reconhecimento na legislação internacional e advogou a criação de um "status internacional" para elas.

A medida permitiria identificar, através das Nações Unidas, quem são as vítimas do terrorismo, quais são suas circunstâncias e as necessidades que têm, disse.

"Muitos Estados totalitários no mundo escondem suas vítimas do terrorismo para não ter de responder sobre elas perante o mundo", observou.

A ex-candidata presidencial também quis enviar uma mensagem a todos os Governos do mundo para que coloquem "a vida humana acima de qualquer outra consideração".

Ela citou como exemplo a decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de lançar a operação de resgate que, em 2 de julho, pôs fim a seus mais de seis anos de cativeiro.

Betancourt foi a oradora principal junto a Ban e o presidente da Assembléia Geral da ONU, o macedônio Srgjan Kerim, do encontro que pela primeira vez reuniu vítimas do terrorismo dos cinco continentes.

No total, 18 vítimas debaterão com dez especialistas durante todo o dia sobre a situação destas pessoas e quais medidas a comunidade internacional pode adotar para responder melhor a suas necessidades.

EFE jju/db

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