Betancourt pede a Sarkozy que lute por todos os reféns

Paris, 4 jul (EFE).- Ingrid Betancourt pediu hoje ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e aos comitês de apoio mobilizados durante estes anos para conseguir sua liberdade que continuem lutando pelos reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na selva colombiana.

EFE |

"Ali, deixei seres humanos que permanecem nas mãos das Farc.

Portanto, continuo precisando de vocês", disse a ex-candidata à Presidência colombiana, que depois se dirigiu ao presidente francês e acrescentou: "Necessito contar com o presidente Sarkozy para que retorne à Colômbia".

Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, ressaltou que Sarkozy deverá "voltar a falar com (o presidente colombiano Álvaro) Uribe" e pediu aos representantes franceses que intercedessem por ela perante as Farc voltando à selva.

"Sei que tinham medo de não voltar cada vez que iam para a selva e não sei se tenho direito de pedir, mas faço isso de qualquer forma", disse.

Ela explicou que a situação é particularmente ruim desde que as Farc se negaram a falar com os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, e "ainda menos" com Uribe.

Ingrid Betancourt foi recebida com aplausos pelos membros dos comitês de apoio no salão de festas do Palácio do Eliseu, onde chegou em companhia de Sarkozy e de sua família após aterrissar no aeroporto militar de Villacoublay, aos arredores de Paris, em um avião da República francesa que a levou de Bogotá.

"Estou tão emocionada que não faço mais do que chorar desde que me libertaram", declarou, entre risos e lágrimas, e afirmou que tinha "vontade de abraçar um por um porque lhes devo a vida, lhes devo tudo".

Betancourt, que foi liberada na quarta-feira junto com outros 14 reféns em uma operação sem disparos do Exército colombiano, disse que "não se pode deixar" os que permanecem em poder das Farc porque "sofrem e estão sós".

A ex-prisioneira, de 46 anos, afirmou que, antes de deixar a Colômbia, se reuniu com muitos dos parentes dos reféns e "estavam desesperados".

"Pensam que uma vez que eu ficasse livre, tudo estaria acabado", declarou, e suas palavras foram amparadas por uma salva de "nãos" pelo público.

Betancourt fez ainda outro pedido à França e expôs seu "sonho" de que conceda bolsas de estudos de estudos aos "que saíram das florestas e aos que permanecem ali, para que tenham uma esperança".

"Fui professora de francês na selva, uma professora muito ruim", afirmou, ao explicar que a única coisa que conseguiu ensinar aos seus alunos foi o hino francês "La Marseillaise".

Betancourt disse que falava aos seus companheiros de cativeiro da França para que deixassem de pensar no suicídio.

A ex-candidata presidencial colombiana foi recebida como uma heroína hoje na França, um país que se mobilizou por ela e os demais reféns das Farc durante os seis anos e cinco meses que permaneceu em cativeiro. EFE ik/bm/db

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