Betancourt pede a carcereiros das Farc que desertem e libertem reféns

Bogotá, 20 dez. (EFE).

EFE |

- A franco-colombiana Ingrid Betancourt pediu hoje aos carcereiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que desertem e libertem os seqüestrados que têm em seu poder.

"Busquem a liberdade, façam um gesto de humanidade, permitam que este seja o último Natal que passarão em cativeiro", disse Betancourt em Paris, em uma declaração telefônica ao programa "As Vozes do Seqüestro" da rede "Caracol Radio", de Bogotá.

A ex-candidata presidencial foi uma das pessoas de destaque que enviaram sua mensagem à guerrilha às vésperas do Natal, uma iniciativa realizada há 14 anos pelo programa, dirigido pelo jornalista Herbin Hoyos.

Cerca de 100 familiares de seqüestrados, a maioria do grupo dos 28 passíveis de troca por rebeldes das Farc, participou desta vigília de oito horas, que teve como palco a Praça Bolívar, no centro de Bogotá, e terminou às 6h (9h de Brasília).

Em sua mensagem, Betancourt lembrou aos carcereiros o caso de "Isaza", como é conhecido Wilson Bueno Largo, que, em 26 de outubro, desertou da guerrilha e permitiu a fuga do ex-congressista Óscar Tulio Lizcano, que estava em poder das Farc desde 2000.

Isaza foi amparado pela França, país ao qual viajou no início deste mês com sua namorada. Os dois foram acompanhados por Betancourt, resgatada em 2 de julho após permanecer mais de seis seqüestrada.

A franco-colombiana foi resgatada em uma operação militar realizada nas selvas do leste da Colômbia, que também resultou na libertação de três americanos e 11 soldados da Polícia colombiana.

"Vocês podem ficar tranqüilos pelo resto de suas vidas, sem necessidade de trabalhar", disse Betancourt aos guerrilheiros, e os convidou a fugir e permitir a libertação dos seqüestrados.

"Estamos esperando" por vocês e vamos cumprir o que prometemos, acrescentou a ex-refém, que desde seu resgate iniciou uma campanha internacional de conscientização sobre o problema do seqüestro na Colômbia e em outros países da região e do mundo.

Betancourt garantiu aos guerrilheiros que eles podem fugir com a "absoluta convicção" de que ela estará esperando por eles, como fez com Isaza, e de que o Governo do presidente Álvaro Uribe cumprirá as promessas que fez aos rebeldes que fugirem com os reféns.

Além da recompensa, que pode superar US$ 2 milhões, Uribe ofereceu uma solução jurídica que garantirá liberdade condicional aos processados por crimes não suscetíveis de anistia e indulto. EFE jgh/ab/an

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