Betancourt diz que só soube de resgate quando estava no helicóptero com exército

Os 15 ex-reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) resgatados pelo governo da Colômbia, nesta quarta-feira, chegaram a uma base militar, onde Ingrid Betancourt reencontrou sua família. Em discurso, ela disse que só soube que havia sido resgatada quando já estava no helicóptero com o Exército da Colômbia.

Redação com agências internacionais |

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Ingrid Betancourt se reúne com sua mãe em base militar da Colômbia

Em discurso, Betancourt disse que ninguém, nem os seqüestrados nem os seqüestradores, suspeitou da operação. Eles só souberam que tinham sido resgatados quando estavam no ar, e um dos militares gritou: "somos o Exército da Colômbia, vocês estão livres".
A operação começou ao amanhecer quando os reféns foram informados que seriam transferidos pelos guerrilheiros.
Os militares que se passaram por guerrilheiros para resgatar os reféns das Farc se camuflaram de tal maneira que vários deles usavam camisetas com a foto de Ernesto "Che" Guevara, contou a ex-refém.
"Eles falavam como guerrilheiros e se vestiam como tais", disse Betancourt à rádio do Exército colombiano, da região de Guaviare (sudeste), onde foi resgatada junto com três americanos e 11 membros da força pública, que estavam em poder dos insurgentes.

Betancourt também disse que um de seus desejos é ir muito em breve à França, e agradeceu as gestões do presidente desse país, Nicolas Sarkozy, e de seu antecessor, Jacques Chirac. Ela também prometeu que agora lutará pelo retorno de todos aqueles que continuam seqüestrados.
"Com o presidente Sarkozy, vamos continuar lutando pela liberdade dos que permanecem seqüestrados", declarou Betancourt, que acrescentou que a libertação não se consegue pela via da negociação.
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Além de Betancourt, que estava seis anos seqüestrada, o governo colombiano libertou 11 militares e policiais colombianos e três cidadãos norte-americanos em uma operação denominada "Jaque" no departamento de Guaviare, sul do país.
A situação dos reféns, principalmente a de Betancourt, que tem nacionalidade francesa, havia mobilizado muitos governos e organizações de vários países.
O resgate aconteceu numa zona de selva do departamento de Guaviare, no sudoeste da Colômbia, informou Santos em entrevista à imprensa na sede do ministério da Defesa em Bogotá.

"Continuaremos trabalhando na libertação dos demais reféns. Apelamos aos atuais chefões das Farc para que libertem os outros e não sacrifiquem seus homens", disse Santos. "Esta operação não tem precedentes e deixa em alta a qualidade e profissionalismo das Forças Armadas Colombianas".
Ingrid Betancourt, que era candidata a presidente quando foi seqüestrada, e a sua candidata a vice, Clara Rojas, foram capturadas durante a campanha em 2002. Rojas deu à luz um garoto, Emmanuel, enquanto era mantida refém em um acampamento secreto na selva e foi solta pela guerrilha no dia 10 de janeiro, junto com mais dois colombianos.

Betancourt e os três norte-americanos estavam entre os 44 principais reféns que as Farc queriam trocar por rebeldes aprisionados. Alguns deles são reféns há quase uma década. O governo diz que as Farc mantém outros 700 reféns.

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Vídeo mostra Betancourt abatida em acampamento das Farc
No fim de 2007, o Exército prendeu um grupo de guerrilheiros enquanto eles entregavam documentos, incluindo um vídeo que mostrava uma deprimida Betancourt sentada na selva e três norte-americanos. Em uma carta para a sua mãe, a política afirmou que ela mal estava comendo e que o cabelo dela estava caindo.
Norte-americanos
Os reféns americanos eram três contratados do Departamento de Defesa dos EUA - Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell.

Em 13 de fevereiro de 2003, sua aeronave caiu na selva colombiana, no departamento (estado) de Caquetá e os três foram feitos prisioneiros pelas Farc.
Versões não confirmadas indicam que o avião foi derrubado pelos guerrilheiros, que mataram um quarto tripulante norte-americano e um oficial colombiano que viajavam com eles.
O ministro da Defesa informou que dois guerrilheiros responsáveis por vigiar os reféns foram detidos.
As Farc começaram como um exército comunista de camponeses na década de 1960. O presidente colombiano Alvaro Uribe empurrou as guerrilhas para a defensiva com uma campanha de segurança apoiada pelos Estados Unidos, mas o grupo ainda faz combates, sequestros e promove tráfico de cocaína.
Operação de resgate
A operação foi organizada em três fases: a primeira consistiu na identificação da área em que os reféns eram mantidos pelas Farc, na região de Guaviare, no sul da Colômbia, um "trabalho de inteligência e infiltração" da cúpula do grupo guerrilheiro e a segunda na operação de resgate.
O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, explicou que a terceira fase consistia em um plano alternativo preparado para o caso de a operação de resgate falhar, o que não aconteceu. Durante a ação foram capturados o guerrilheiro "César" e outro membro das Farc, que eram responsáveis pelos reféns resgatados.
O exército colombiano afirmou que não houve mortes durante o resgate. A operação de resgate teve diversas etapas, que começaram com a fuga do policial John Frank Pinchao no ano passado, cuja busca começou a demarcar com maior precisão a área em que se encontrava o grupo de reféns.
Em fevereiro deste ano, durante a mesma busca, foi visto o senador Luis Eladio Pérez, que dias depois foi entregue pelas Farc. Depois foram vistos também os três norte-americanos libertados hoje.
Para fazer o resgate, militares colombianos enganaram os guerrilheiros responsáveis por vigiar os reféns, com uma suposta ordem para levá-los a um local no qual seriam deixados sob os cuidados do principal líder das Farc, Alfonso Cano, líder máximo da guerrilha desde maio último, após a morte do fundador do grupo, Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo".
Um helicóptero civil foi usado na operação, para tirar os reféns do local em que foram resgatados
"Estamos muito contentes, muito alegres, este é um grande golpe, que deve alegrar a todos e ao mundo inteiro", expressou o ministro à imprensa. "Sinto uma imensa alegria, admiração por nossos homens da inteligência do Exército, por nossos comandantes e um imenso orgulho de ser colombiano".
AP
Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Howes quando estavam seqüestrados
(*Com informações das agências Reuters, Ansa, EFE, AFP e BBC Brasil)
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