México, 18 dez (EFE).- Acampamentos das Farc não são bons lugares para estudar, disse hoje a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt sobre quatro estudantes mexicanos que morreram em 1º de março passado em ataque do Exército colombiano a um acampamento das Farc no Equador.

Betancourt deu esta declaração em resposta a perguntas de repórteres na entrada da Basílica da Virgem de Guadalupe, na Cidade do México, onde foi pedir à santa que interceda pelos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Eu quisesse pedir (à Virgem) que toque o coração dos comandantes da guerrilha, porque eles são os que têm que libertar (os reféns)", afirmou à imprensa na entrada do recinto religioso.

A visita à Basílica de Guadalupe era um compromisso que Betancourt tinha anunciado, depois de ser libertada em 2 de julho de um cativeiro de mais de seis anos em mãos das Farc, graças à chamada "Operação Xeque", desenvolvida pelo Exército da Colômbia.

"Quando estava na selva era ela (Nossa Senhora) a quem rezei.

Então esta é uma reunião muito importante para mim", apontou nesta quinta-feira.

Betancourt chegou ao meio-dia à Basílica de Guadalupe, que estava repleta de peregrinos pela recente realização do Dia da Padroeira do México, na sexta-feira.

Protegida por diversos guarda-costas e assediada pelos jornalistas, foi recebida pelo pároco Diego Monroy.

Perante as perguntas da imprensa, Betancourt disse que Nossa Senhora de Guadalupe era "a primeira personalidade que tinha que ver" no México, país onde hoje começou uma visita de dois dias que inclui uma entrevista coletiva e um encontro com o presidente Felipe Calderón, previstos para amanhã.

Betancourt apontou que a troca de reféns por presos das Farc é uma possível solução, mas esclareceu que "não se podem comparar as duas situações".

"Os presos estão em mãos da lei colombiana" e "não estão isolados", enquanto "na selva não tínhamos nada, nem médicos quando estávamos doentes", opinou.

Manifestou, além disso, que os guerrilheiros poderiam ser "interlocutores válidos em processo de paz" se "mudarem seu modo de atuar", enquanto lhes reivindicou maior "sensibilidade humana". EFE act/jp

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