Quito - A franco-colombiana Ingrid Betancourt disse a uma revista equatoriana que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), por sua posição radical, e o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pelos sucessos que colheu pela via militar, não têm interesse em uma negociação de paz.

Em entrevista publicada hoje pela revista semanal "Vanguardia", Betancourt, que visitou Quito na semana passada, afirma que não vê "de nenhuma das partes interesses objetivos em uma negociação de paz".

A ex-refém opinou que as Farc "nunca consideraram a paz como uma alternativa", e assinalou que utilizou essa possibilidade "como um método para ampliar espaços militares e políticos".

Além disso, afirmou que "pelo lado do Governo de Uribe, as grandes colheitas foram militares", e por isso não vê que "o presidente tenha 'necessidade' de antecipar um processo de paz".

Betancourt assinalou que para dar um passo à frente em direção à resolução do conflito é preciso criar um novo cenário no qual não se abandone a pressão militar, mas que também abra novos espaços políticos e se estabeleça "um discurso que permita uma aproximação respeitosa".

"Há muita angústia, porque não há contatos entre o Governo e as Farc. A situação está estagnada, sem esperança para meus companheiros de cativeiro", afirmou.

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