Betancourt diz que está viva graças a seu destaque na mídia

Potsdam (Alemanha), 5 set (EFE).- A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, que passou mais de seis anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse hoje que seus seqüestradores não a mataram, entre outros motivos, graças à sua presença nos meios de comunicação e ao trabalho da imprensa no mundo todo.

EFE |

"A presença que tive na mídia durante o período em cativeiro foi o que garantiu minha vida. Não me mataram quando tentei fugir e voltaram a me capturar." disse Betancourt.

Segundo ela "isso só foi possível porque os olhos do mundo estavam focados nos seqüestradores e em suas decisões", declarou em sua mensagem de aceitação do prêmio da imprensa M100 Sanssouci Colloquium, concedido na cidade alemã de Potsdam.

A política colombiana, que não esteve presente na cerimônia de entrega do prêmio e discursou através de uma videoconferência, sustentou que não fez nada para merecer essa distinção, mas que a aceita em nome de todos aqueles que continuam seqüestrados nas selvas colombianas.

Betancourt elogiou o trabalho da imprensa que, segundo ela, foi a única responsável por seu contato com o mundo exterior durante os anos em que esteve em poder da guerrilha.

Além disso, fez uma reflexão sobre a luta contra o terrorismo e rejeitou o eufemismo que fala de "efeitos colaterais" quando morrem inocentes, pois, "por trás de cada número, se oculta uma tragédia humana".

A ex-senadora também afirmou que em algumas ocasiões os meios de comunicação podiam determinar a maneira como se davam as ações militares e sustentou que, assim como as Farc não se atreveram a matá-la, sua libertação pelo Exército colombiano foi bem sucedida provavelmente por causa da atenção internacional.

"Se a imprensa e os Governos da Europa não tivessem lutado por nós, provavelmente a ação de libertação teria fracassado de maneira sangrenta", disse.

"Mas como o mundo, como os senhores, pediram para que nossas vidas se salvassem, foi possível essa ação incrível sem derramamento de sangue e sem combates", acrescentou.

O prêmio da imprensa européia M100 Sanssouci Colloquium foi concedido nesta ocasião a Betancourt, segundo a ata do júri, por "seu valor e sua coragem".

O governador do estado de Brandemburgo, Mathias Platzeck, se referiu a Betancourt como uma "incansável lutadora pela democracia que ganhou o respeito de todos".

A entrega física do prêmio foi realizada por dois membros do júri em um hotel de Paris.

Em anos anteriores, foram contemplados o músico Bob Geldof, por seu compromisso na luta contra a aids e a pobreza na África, o chanceler francês, Bernard Kouchner, e o arquiteto britânico Norman Forster. EFE rz/ab/rr

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