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Betancourt diz que deseja ser a voz dos que não tem voz

Oviedo (Espanha), 23 out (EFE).- A franco-colombiana Ingrid Betancourt, que na próxima sexta receberá em Oviedo o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia, afirmou hoje que só deseja ser a voz dos que não têm voz.

EFE |

"Quando vejo tantos jornalistas diante de mim, sinto que tenho uma linda oportunidade de dizer o que acho que outros queriam dizer e não podem fazer", declarou Betancourt em entrevista coletiva em Oviedo.

Betancourt, imagem do conflito interno na Colômbia, afirmou hoje que não corresponde a ela dizer se é "símbolo de algo".

A força demonstrada pela franco-colombiana durante os mais de seis anos de cativeiro nas mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e sua firme defesa dos direitos humanos o valeram o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia.

Betancourt agradeceu hoje a acolhida colorosa que a região de Astúrias (norte da Espanha) está lhe dando e disse que as horas transcorridas em Oviedo estão sendo os momentos de "maior alegria" desde sua libertação, no último mês de julho.

A ex-prisioneira reconheceu que os seis anos de cativeiro provocaram muitas mudanças nela, tanto em sua visão do mundo quanto do conflito armado vivido na Colômbia há décadas.

"Para mim, o mundo agora é diferente e sinto que está em perigo", pois tem suas bases frágeis, declarou Betancourt, que destacou o período de crise como "um excelente momento para retificar e mudar".

Betancourt se mostrou "muito otimista" quanto ao futuro e relatou que vê na sociedade, especialmente nas crianças e nos jovens, "outra dimensão" do ser humano.

A ex-candidata presidencial pediu uma atuação "mais com o coração e não tanto com a cabeça, e, sobretudo, fugindo dos interesses imediatos".

Sobre o conflito que vive seu país, Betancourt explicou que no passado pensava que a guerrilha fosse "uma resposta a um sistema que não funcionava bem", mas hoje acredita que "é um subproduto deste mesmo sistema que não funciona bem".

"Foi uma mudança absoluta em minha forma de entender o problema", ressaltou, e acrescentou que seu país deve superar "ódios e rancores".

A defensora da liberdade e dos direitos humanos pediu à guerrilha que abandone sua "rigidez mental" e "aceite o jogo democrático, deixe as armas, liberte os seqüestrados e dê oportunidade aos colombianos de construírem um país grande onde caibam todos".

Insistiu na defesa do diálogo entre o Governo de seu país e a guerrilha como solução ao conflito armado e aconselhou ambas as partes a "buscarem o momento e o lugar mais adequados" para negociar. EFE lm/fh/fal

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