Betancourt diz que Colômbia precisa de ajuda para libertar reféns

PARIS - A ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), reiterou que foi extraordinária a operação do Exército colombiano que permitiu sua libertação, mas destacou que o país ainda precisa de ajuda para libertar os outros seqüestrados.

Redação com EFE |

"Nessa vitória temos que ter a humildade de aceitar que precisamos de ajuda para completar o processo e obter a libertação dos demais" reféns, disse Betancourt. Ela considera que, para resolver o problema dos seqüestrados na Colômbia, é "preciso o trabalho de muita gente" e que somente uma pessoa não pode conseguir isso, em alusão ao presidente colombiano, Álvaro Uribe.

O governo colombiano disse na segunda-feira que já não tinha confiança nos emissários europeus e que tentaria estabelecer um contato direto com as Farc.

O alto comissário colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo, disse que "falar hoje de um acordo humanitário como de uma primeira etapa antes da paz já não faz sentido", referindo-se à missão dos emissários francês e suíço que atuam em nome dos três países de mediadores (Espanha, França e Suíça).

Durante anos, essas nações estimularam as negociações entre as Farc e o governo colombiano para um acordo humanitário que permitisse a libertação dos reféns.

Farc aceitam diálogo

Uma nota das Farc divulgada hoje pela televisão, mas datada de junho, indica que Guillermo León Saénz Vargas, conhecido como "Alfonso Cano", líder da guerrilha, aceitou "um contato direto" com o governo de Álvaro Uribe "para a troca humanitária".

A proposta "para nos encontrar com o governo nacional para estabelecer os termos de um acordo continua vigente", assim como "a decisão de manter comunicação", diz Cano no comunicado, datado antes do resgate de Ingrid Betancourt, três americanos e onze policiais e militares reféns da guerrilha em 2 de julho.

O líder das Farc afirma que o grupo persistirá nos "esforços para alcançar a paz democrática pelas vias civilizadas do diálogo", como, segundo ele, "faz há 44 anos".

Cano substituiu na chefia das Farc "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo", que morreu em 26 de março.

O guerrilheiro anuncia a "nova estrutura" de alguns comandantes no comunicado, divulgado pela "Noticias RCN" e que será divulgado na íntegra no programa "La Noche" desse canal de televisão.

Entre algumas das decisões, anuncia o "camarada 'Ivan Márquez' (apelido de Luciano Marín Arango) como chefe das relações internacionais do Estado-Maior central".

Também anuncia o "camarada 'Pablo Catatumbo' (como é conhecido Jorge Torres Victoria) como novo chefe do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia (partido político da guerrilha e que até a morte de Tirofijo era dirigido pelo próprio Cano)".

Segundo o informativo, o comunicado "teria sido distribuído no dia 28 (de junho) pelo emissário de Cano, o chefe da frente 29, conhecido como 'Aldemar', aos delegados europeus (de mediação), o suíço Jean-Pierre Gontard, e o francês Nöel Saez".

Na mesma mensagem, antecipou a "Noticias RCN", "pela primeira vez Cano faz referência à morte de Tirofijo" e afirma que em 27 de março, um dia após o falecimento do líder e fundador das Farc, decidiu que informaria do fato "só a partir de 23 de maio" aos "comandantes e guerrilheiros, aos amigos e conhecidos e à opinião".

Assim foi acordado "enquanto decidíamos o necessário para garantir a continuidade dos planos em curso, como efetivamente ocorre", acrescenta a mensagem.

Entenda

Saiba mais sobre Ingrid

O Resgate

Imagens

Repercussão

Opinião

Leia também:

    Leia tudo sobre: farcingrid betancourt

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG