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Betancourt diz que Colômbia deve abandonar o ódio

Paris, 7 jul (EFE).- A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt disse hoje que não só a guerrilha deve se retificar, mas que também o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e a Colômbia inteira devem mudar o que chamou de vocabulário radical, extremista e de ódio.

EFE |

Libertada juntamente com outros 14 reféns das Farc na quarta-feira em uma operação do Exército colombiano, Betancourt disse que Uribe foi "muito hábil e muito forte" em sua política de segurança.

"Mas acho que estamos em um momento no qual é preciso mudar de vocabulário. A forma como um se refere ao outro é muito importante", disse Betancourt à "Rádio França Internacional" ("RFI").

A ex-candidata presidencial colombiana pediu a Uribe que dê "ao outro, espaço de respeito e tolerância para livrar a cara e possa em algum momento aceitar falar com aquele que odeia, o inimigo que combate".

"Chegamos a um momento em que se deve mudar esse vocabulário radical, extremista, de ódio, de palavras muito fortes que ferem muito intimamente o ser humano", afirmou.

Perguntada se acredita que pode convencer Uribe, Betancourt respondeu que se seus argumentos forem bastante fortes para isso, "Bendito seja Deus", mas se não, terá que continuar conversando com ele "até que o povo reaja".

Sobre as Farc, que "colhem os frutos do sangue e do terror" semeados no país, Betancourt disse que, para eles, esta também é uma oportunidade de "retificar, mudar, dizer que não é o bom caminho".

"Provavelmente é nas derrotas que mais se aprende", declarou a ex-refém ao deixar claro "um vazio absoluto em todas as propostas das Farc" em nível político e que a guerrilha não tem ninguém carismático para assumir o comando do grupo.

Betancourt também confirmou que não participará em 20 de julho da passeata pela paz e pela libertação dos reféns que ainda estão em poder das Farc, convocada na Colômbia.

"Minha família está com medo. Não irei", disse Betancourt ao explicar que é necessário ser "inteligente" e que "talvez não seja o momento de voltar", já que as Farc sofreram um golpe terrível e poderiam querer se vingar.

A ex-candidata presidencial colombiana disse acreditar que pode fazer "muito" na França, como pedir às pessoas para que não se esqueçam dos reféns na selva e "mantenham a pressão".

Perguntada sobre as alegações de que sua libertação foi uma armação e que houve pagamento pelo resgate - versão negada pela Colômbia -, disse que "provavelmente deve ter havido alguém que recebeu dinheiro", mas que não foram os guerrilheiros "que estavam" com ela.

"Talvez tenha havido uma infiltração a nível mais alto", comentou Betancourt ao destacar que os guerrilheiros que estavam com ela e os 14 reféns "sempre acreditavam que estavam falando com seus chefes".

"As instruções chegaram de modo que devia convencê-los. Alguém enviou uma informação falsa na qual acreditaram e que não tinham como confirmar", disse.

Para Betancourt, é importante apurar a verdade sobre a operação porque "não se pode tirar o mérito" dos soldados que arriscaram suas vidas para libertá-los.

Quando perguntada sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que intermediou a libertação de seis reféns das Farc no início do ano, disse que é "genial" e "muito refrescante em uma América Latina na qual havia uma espécie de espartilho" no discurso, mas reiterou que nem sempre concorda com o que ele faz.

Betancourt disse que, para conseguir a libertação dos reféns, Chávez é "aliado" e que é o único "que fala com as Farc".

A ex-refém falou que Uribe e Chávez precisam "superar todas estas histórias", ao se referir aos desentendimentos entre os dois presidentes, e espera que se reconciliem "pelo bem" dos povos. EFE al/wr/rr

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