Betancourt deixará vida pública a partir de janeiro para escrever livro

Paris, 24 dez (EFE) - Ingrid Betancourt, que foi refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante seis anos e meio, decidiu sair da vida pública a partir do final de janeiro para escrever sobre o tempo em que ficou em cativeiro, mas não sobre todos os horrores que viveu na selva. Sem dúvida, é preferível que alguns horrores fiquem para sempre na selva. Mas há outras lembranças que devo levar à tona, porque poderão tranqüilizar outras pessoas, explica Betancourt em entrevista publicada hoje no Le Monde.

EFE |

A franco-colombiana, que considera estranhos os rumores que circularam sobre os direitos desse futuro livro, para o qual ainda não tem editor, reconhece que seis meses após sua libertação, em julho, graças a uma operação do Exército colombiano, ainda se sente uma "nômade", como quando estava seqüestrada.

A ex-refém confirma que desistiu da idéia de seguir carreira política, cansada das "traições, interesses ocultos, manipulações", mas que sua popularidade lhe confere uma responsabilidade que espera materializar com a fundação que lançou no início do mês.

De sua viagem pela América do Sul, destaca o novo cenário político: "Em vez dos ditadores e sultões que durante décadas esperavam no trono que lhes beijassem a mão, encontrei líderes abertos, trabalhadores, próximos ao povo, e todos saídos de eleições democráticas".

"Obamas", concluiu, referindo-se ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Todos, Michelle Bachelet no Chile, Evo Morales na Bolívia, filhos do sofrimento em seu país. E, portanto, sensíveis ao drama colombiano", acrescenta.

Apesar de não criticar o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que rejeita uma mediação internacional no conflito interno, destaca que "o fato de que esses governantes sejam quase todos de esquerda lhes dá uma autoridade moral para dirigir uma mensagem às Farc".

Eles precisam "denunciar o espetáculo de barbárie que dão ao mundo, ao clamar (...) que privam a Colômbia de uma esquerda democrática que faria falta".

A ex-refém afirma que se a guerrilha libertasse os seqüestrados, "deixaria de ser terrorista e poderia esperar o perdão e o apoio".

Nessa linha, assegura que não abandonará o guerrilheiro Wilson Bueno Largo, "Isaza", que "renunciou a ser um carrasco" e foi acolhido na França após receber uma recompensa por ter desertado e libertado, ao mesmo tempo, o congressista Óscar Tulio Lizcano.

Betancourt sabe que está ameaçada pela guerrilha e, por isso, solicitou proteção à França, que ofereceu até mesmo quando viajou a Bogotá, em novembro. EFE ac/db

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