Betancourt deixa para trás 6 anos de cativeiro lúcida e incisiva

Com os longos cabelos trançados e usando um chapéu e um colete camuflados do Exército, a ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt chegou na tarde desta quarta-feira a Bogotá, deixando para trás seis anos e cinco meses de cativeiro na selva nas mãos das Farc.

AFP |

Betancourt foi a primeira a descer a escada do avião presidencial que a trouxe da selva de Guaviare (sudeste colombiano) para a base militar de Catam, oeste de Bogotá, após ser resgatada junto com três americanos e 11 militares e policiais colombianos, em uma operação militar durante a qual não foi disparado um tiro sequer.

Ao desembarcar do avião apoiada no braço do ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, a política abraçou-se com a mãe, Yolanda Pulecio, e com o marido, Juan Carlos Lecompte.

Atrás dela seguiram os onze militares e policiais, alguns dos quais estavam há mais de dez anos de cativeiro. Eles se abraçaram e em seguida começaram a rezar.

"A operação foi absolutamente impecável", elogiou Betancourt em suas primeiras declarações, ainda na base aérea, onde agradeceu a Deus a aos soldados por sua libertação.

"Se não tivessem corrido o risco que correram, teríamos ficado sabe lá quantos anos ainda nesse calvário que vivemos", agradeceu, dirigindo-se ao presidente Uribe e ao ministro Santos.

Betancourt agradeceu ainda ao ex-presidente francês Jacques Chirac, ao atual presidente, Nicolas Sarkozy, e aos franceses por seu apoio e solidariedade. Ela também pediu para que todos continuem lutando pelos 24 reféns que continuam em poder das Farc.

Sobre a operação, contou que ao amanhecer desta quarta-feira seus captores disseram que eles seriam levados em um helicóptero para um chefe das Farc, que supunham ser Alfonso Cano, líder máximo do grupo rebelde.

Dos helicópteros saíram vários homens que falavam e se comportavam como guerrilheiros - alguns vestiam camisetas com a imagem de Che Guevara.

Betancourt disse que nem os membros das Farc nem eles, seqüestrados, suspeitavam de nada, e que só compreenderam a situação quando os dois chefes rebeldes que subiram no helicóptero foram submetidos e um dos militares gritou: "somos o Exército da Colômbia, vocês estão livres".

Muito lúcida e dando sinais de estar bastante informada, Betancourt também falou de política, apontando que a reeleição de Uribe, em 2006, foi o golpe mais duro para as Farc.

Além disso, pediu que os dirigentes rebeldes que respeitem a vida dos guerrilheiros que os escoltavam e que ficaram na floresta.

"As pessoas que ficaram lá, os guerrilheiros que eram nossos guardas, nós os deixamos vivos, e Deus queira que continuem assim, porque espero que não sejam executados pelas Farc".

cop/ap

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