Betancourt convoca ato em Paris em conexão com marcha em Bogotá

(Atualiza com declarações de Chirac) Paris, 9 jul (EFE).- A franco-colombiana Ingrid Betancourt fez hoje uma chamada para participar da concentração a ser organizada em Paris no próximo dia 20, que estabelecerá comunicação pela televisão ao vivo com Bogotá, em apoio aos reféns que ainda estão sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

"Para mim é muito importante fazer isso para evitar que a Colômbia se feche", ressaltou Betancourt, ao apresentar esta convocação em um ato no qual recebeu a homenagem da Assembléia Nacional francesa.

A ex-refém das Farc, libertada há agora uma semana, após mais de seis anos de cativeiro, disse que o cantor colombiano Juanes e o espanhol Miguel Bosé anunciaram que estarão nessa marcha, que também deve contar coma presença do francês Manu Chao.

Dirigindo-se às centenas de pessoas, essencialmente deputados, reunidas na Câmara, justificou a mobilização porque há ainda vários "reféns das Farc que são seres humanos que não têm voz" e que, ao contrário do que aconteceu com ela, "não têm os meios de comunicação por trás".

"É preciso conseguir salvá-los (...). Suplico que não os abandonem", disse Betancourt, em seu discurso aos deputados.

O presidente da Câmara Baixa, Bernard Accoyer, em um discurso prévio, tinha dito que sabem que a ex-candidata presidencial colombiana "continuará lutando (...) para que seus companheiros de infortúnio consigam a liberdade. Pode contar conosco".

Betancourt constatou que, durante seu cativeiro, "houve uma transformação dos corações" sobre a questão das pessoas sob poder da guerrilha colombiana.

"A consciência da Colômbia se despertou pouco a pouco, porque França estava" apoiando sua libertação, e isso levou a colocar que "talvez a vida é mais importante que a razão de Estado", argumentou.

Uma prova dessa transformação são as marchas de solidariedade aos seqüestrados que proliferaram, algo que, disse, "nunca tinha se visto na Colômbia", embora na França seja algo natural.

Lembrando o lema da República francesa, disse que, quando estava seqüestrada, não teve liberdade, nem fraternidade e "ainda menos igualdade".

"Porque era mulher, porque era francesa, porque simbolizava tudo o que as Farc detestam", teve um tratamento "pior" do que os outros.

Betancourt reiterou seu agradecimento à França pela pressão que exerceu para sua libertação, e também porque foi o país onde sua família "encontrou um lugar para se proteger, mãos estendidas para agüentar".

A franco-colombiana, que esta tarde tem uma reunião com o ex-presidente da França Jacques Chirac, foi recebida no pátio interno da Assembléia, primeiro por Accoyer, e depois por todos os presidentes dos grupos parlamentares.

A ex-refém reiterou a Chirac seu agradecimento pelo que fez por ela enquanto esteve à frente da Chefia do Estado francês.

Perguntado sobre o que mais chama sua atenção em Betancourt, Chirac disse que a força tranqüila da ex-refém.

"Fala das coisas com muita serenidade e força. É todo um caráter.

Entendo que tenha resistido a uma prova tão dura". EFE ac/an

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