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Betancourt assume papel de chanceler das famílias de reféns das Farc

Bogotá, 30 nov (EFE) - A franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) até julho, e que realiza uma viagem pela América Latina, aceitou hoje em Bogotá assumir o papel de chanceler das famílias dos seqüestrados pela guerrilha.

EFE |

A ex-candidata presidencial se reuniu na capital colombiana com parentes de muitas das 28 pessoas que fazem parte da lista de passíveis de troca dos rebeldes.

"Justamente lhe demos um mandato amplo, aberto, para que ela faça seu 'lobby' internacional com todos os presidentes, especialmente com os da América Latina", declarou a porta-voz da associação que reúne famílias de militares e policiais seqüestrados, Marleny Orjuela.

A ativista tinha antecipado à Agência Efe a solicitação a Betancourt para que assumisse a representação no exterior das famílias de pessoas que permanecem em poder das Farc como passíveis de troca por 500 insurgentes presos, três deles extraditados aos Estados Unidos.

"Queremos que ela faça um 'lobby' internacional em todos os países europeus e sul-americanos, em todos os continentes", explicou Orjuela, antes de se reunir com a ex-refém na residência do embaixador francês, Jean Michel Marlaud, no norte de Bogotá.

Orjuela formalizou a solicitação em nome da Associação Colombiana de Familiares de Membros da Força Pública, Retidos e Libertados por Grupos Guerrilheiros (Asfamipaz), que ela preside e que reúne os parentes de 26 militares e policiais que seguem em poder da guerrilha nas selvas, junto a dois civis.

"Nós confiamos nela, não nas pessoas que saíram (do seqüestro) falando mal de nossos entes queridos", disse à Efe a presidente da Asfamipaz, que foi ao encontro em companhia do também ex-refém Óscar Tulio Lizcano e de representantes das famílias dos reféns, alguns com quase 11 anos de cativeiro.

O ex-congressista Lizcano fugiu dos rebeldes no final de outubro com ajuda do guerrilheiro "Isaza", como é conhecido Wilson Bueno Largo, seu carcereiro, que desertou e cuja amparada na França foi confirmada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em carta ao chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe.

Essa mensagem foi levada a Bogotá por Betancourt, que abriu a primeira visita a seu país desde que foi resgatada com uma reunião com Uribe, que disse tê-la recebido "com carinho, com vontade de liberdade para todos os colombianos seqüestrados e com o sonho de que as novas gerações possam viver em paz".

Segundo Lizcano, cujo seqüestro durou mais de oito anos, o objetivo da tarefa atribuída a Betancourt é o de "elevar o nível de pressão dos países amigos latino-americanos para buscar uma saída negociada para este problema".

A ex-refém estreará esse trabalho em Quito, para onde viajará ainda hoje para reunir-se com o presidente equatoriano, Rafael Correa, dentro de uma viagem de uma semana na qual também visitará Argentina, Brasil, Chile, Peru, Bolívia e, provavelmente, Venezuela.

No Brasil, Betancourt será recebida na sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No entanto, além do Brasil e do Equador, os dias e a ordem dos outros destinos da viagem não foram divulgados.

"Quero levar uma mensagem de fraternidade", declarou a ex-refém em reunião que manteve com a imprensa no sábado à noite na Embaixada da França, que assumiu sua segurança e o manejo de sua agenda nesta breve visita a Bogotá.

Como outros ex-reféns, ela diz que corre riscos e que teme que as Farc, como sugerem relatórios de inteligência, planejem ações para responder à operação militar, que se disfarçou de missão humanitária e que lhe devolveu a liberdade em 2 de julho.

Na denominada "Operação Xeque", também foram resgatados os americanos Keith Stansell, Thomas Howes e Marc Gonsalves, em poder da guerrilha desde fevereiro de 2003, e 11 militares e policiais, todos confinados em bases rebeldes nas selvas do departamento do Guaviare, no leste do país. EFE jgh/ab/db

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