Betancourt agradece Cristina por luta em prol de reféns das Farc

Buenos Aires, 2 dez (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, recebeu hoje a fraco-colombiana e ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt, que agradeceu a governante por suas corajosas ações a favor de sua libertação e da de todos os seqüestrados pela guerrilha colombiana.

EFE |

Betancourt, que permaneceu seis anos em poder das Farc, chegou hoje à Argentina, no âmbito de uma viagem que começou pelo Equador e ainda a levará a Chile, Brasil, Peru, Bolívia e Venezuela.

"O que (Cristina) fez não foi por protocolo ou porque era politicamente correto. É claro que na Argentina, mais do que em outro país, entende-se o que os colombianos sofrem. Há uma dor compartilhada", disse a ex-refém na entrevista coletiva que concedeu após seu encontro com a presidente argentina.

Ao deixar o escritório de Cristina, a colombiana esbarrou com a cantora Madonna, que está em Buenos Aires para uma série de shows e que cumprimentou a franco-colombiana antes de seu encontro com a chefe de Estado da Argentina.

A ex-refém das Farc disse que a reunião com Cristina, que começou com um forte abraço entre as duas, foi "de muito sentimento e emoção".

"Devo muito ao povo argentino, ao ex-presidente (Néstor) Kirchner e à sua esposa (Cristina Fernández)", disse Betancourt, que disse que, no cativeiro, ouvia pelo rádio a voz da atual governante argentina.

Betancourt também agradeceu Cristina por ter recebido sua mãe, Yolanda Pulecio, e destacou a participação da presidente na marcha pela libertação dos reféns das Farc realizada em Paris no mês de abril.

"É um compromisso pessoal que me emociona e ao qual agradeço. Foi muito mais do que um gesto de apoio", disse a franco-colombiana.

Não por acaso, Cristina foi uma das políticas sul-americanas mais engajadas no caso de Ingrid Betancourt, por cuja libertação chegou a pedir em seu primeiro discurso como presidente empossada, em 10 de dezembro de 2007.

"Por isso, tenho um imenso carinho por esta mulher corajosa, que colocou a questão colombiana à frente de todos os presidentes latino-americanos", afirmou Betancourt.

Em mensagem aos que ainda permanecem em poder das Farc, a ex-candidata presidencial disse que eles têm em Cristina uma "madrinha", "uma mulher que vai continuar lutando pelos seqüestrados".

"A Argentina nos adotou e o continente americano vai se movimentar por cada um de vocês. Esse amor irá tirá-los daí", declarou aos reféns, aos quais desejou um "feliz Natal".

Betancourt também agradeceu várias vezes os esforços do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina, e que, no fim de 2007, liderou uma fracassada missão diplomática coordenada pela Cruz Vermelha Internacional para resgatar a franco-colombiana e mais um grupo de seqüestrados pela guerrilha.

"Esse foi um ato muito generoso e valente da parte do ex-presidente. Sinto um imenso amor pela Argentina personalizado em Néstor e Cristina Kirchner", afirmou Betancourt.

A ex-refém disse que desde sua libertação tem "uma vida de felicidade" e que "a cada dia" vive "um maravilhoso milagre".

Além disso, declarou que, nestes cinco meses que se passaram desde a sua libertação, recuperou sua saúde e tomou consciência de sua "fragilidade emocional".

Na entrevista, Betancourt também revelou que falar do passado é algo que lhe "dói muito" e que no ano que vem vai se isolar por seis meses para escrever um livro.

A ex-candidata à Presidência da Colômbia disse ainda que o mundo "está melhor" desde que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, que a "América Latina vai surpreender neste século" e que enxerga pela frente um "mundo marcado pela espiritualidade, e não pelo materialismo".

"Eu gostaria de ver meu país como a Argentina. Estou orgulhosa da democracia que vocês conseguiram salvar", acrescentou.

Com a viagem que iniciou, Betancourt pretende agradacer os governantes da região pela contribuição que deram para sua libertação, ocorrida em julho, para criar uma "consciência internacional" sobre a necessidade de a Colômbia fechar um acordo humanitário com os guerrilheiros. EFE cw/sc

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