São Paulo, 5 dez (EFE) - A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt afirmou hoje que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram humilhadas e enfraquecidas durante o ano de 2008, por isso espera uma rápida libertação dos centenas de reféns em poder da guerrilha.

Betancourt se reuniu hoje em São Paulo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem expressou sua "imensa gratidão" pelos esforços em favor da libertação dos seqüestrados do grupo.

"Foi um ano de imensa humilhação para as Farc", disse Betancourt a jornalistas após analisar as baixas sofridas pelo principal grupo guerrilheiro colombiano nesse período.

A política, ex-candidata presidencial e ex-refém das Farc, faz uma viagem por vários países da América latina para agradecer pela ajuda dos Governos da região a favor de sua libertação, após seis anos em poder do grupo guerrilheiro.

"É óbvio que este foi um ano terrível para as Farc, de enfraquecimento, caíram seus líderes e eu espero que seja uma reflexão para eles", disse, pedindo a libertação dos seqüestrados.

"Meu encontro com os brasileiros é uma dívida, porque sempre senti o apoio de seu povo durante e depois da minha libertação, somos os mesmos, pensamos o mesmo e sinto-me muito latino-americana", disse.

Ela agradeceu a Lula e ao Governo da França por "ter posto sobre a mesa de maneira discreta, mas muito efetiva", o tema da libertação.

Por sua parte, o presidente pediu às Farc para deporem as armas e defendeu a importância do voto como mecanismo de luta política.

"Não se ganham eleições seqüestrando pessoas, a grande "chance" de as Farc governarem na Colômbia é crer na democracia", disse o presidente.

Lula afirmou que o Brasil está disposto a cooperar nas negociações para a libertação dos seqüestrados.

"O Brasil não move um dedo sem que haja o acordo com o Governo institucional colombiano, nossa aposta é pela democracia", acrescentou.

As eleições "são o único caminho que as Farc têm", disse, ao afirmar que há 20 anos "ninguém achava" que um metalúrgico como ele chegaria a ser eleito presidente do Brasil. EFE wgm/db

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