Bernanke pede reforma das regras para o sistema financeiro

O presidente do Fed (Federal Reserve Bank, o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, disse nesta terça-feira que deve haver uma ampla mudança na forma como o governo regula o sistema financeiro a fim de evitar o surgimento de novas crises financeiras, como a que atualmente atinge o país. Regulamentação e supervisão fortes e eficientes das instituições bancárias, embora necessárias para reduzir o risco sistêmico, não são suficientes por si só para alcançar esse objetivo (evitar futuras crises), disse Bernanke em um discurso em Washington.

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Bernanke disse que as reformas devem ocorrer "como um todo, de uma forma holística" e que há pelo menos quatro questões que precisam ser abordadas para aumentar a segurança do mercado.

Uma delas é relacionada às instituições consideradas "grandes demais para falhar", por causa do papel vital delas no sistema financeiro. Instituições-chave como a seguradora AIG, por exemplo, receberam bilhões de dólares do governo americano para evitar que quebrassem.

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"Na atual crise, a questão de ser grande demais para falhar surgiu como um enorme problema", disse Bernanke.

O presidente do Fed também recomendou reformas nas regras e convenções do sistema financeiro, nas regras de contabilidade das empresas e a criação de um órgão de monitoramento para identificar riscos sistêmicos.

No mesmo discurso, Bernanke explicou que a crise atual - segundo ele, a pior desde os anos 30 - tem suas raízes em desequilíbrios globais no comércio e fluxo de capitais no final da década de 90.

Esses desequilíbrios "refletem uma falta crônica de poupança em relação aos investimentos nos Estados Unidos e alguns outros países industriais, juntamente com um aumento extraordinário de poupança em relação aos investimentos em muitos mercados emergentes".

Com resultado disso, as economias desenvolvidas receberam um alto fluxo de capital durante mais de uma década, apesar dos juros baixos.

Nesse contexto, nem os governos nem o setor privado foram capazes de "assegurar que o fluxo de capital foi investido prudentemente", disse Bernanke.

Também nesta terça-feira, o Citigroup, gigante do setor bancário duramente afetado pela crise financeira, anunciou que obteve lucro nos primeiros dois meses do ano.

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Após o anúncio, as ações da instituição dispararam e fecharam com valorização de 37%, impulsionando uma alta na bolsa de valores de Nova York - que fechou o dia em alta de 5,8%.

A alta na bolsa Nasdaq foi ainda maior, terminando o dia em 7,07%.

Num memorando divulgado a funcionários, o presidente do Citigroup, Vikram Pandit, disse que o banco está tendo o seu melhor trimestre desde o terceiro trimestre de 2007.

Outras instituições financeiras americanas, como o Bank Of America e o JP Morgan, também tiveram altas em suas ações durante o pregão desta terça-feira em Wall Street, refletindo o otimismo com o anúncio do Citigroup.

Em São Paulo, a expectativa de uma nova redução na taxa básica de juros na reunião do Copom desta quarta-feira e o bom clima dos mercados internacionais fizeram o índice Bovespa fechar em alta de 5,59% nesta terça-feira.

A expectativa de redução na taxa básica de juros foi reforçada pela divulgação do PIB brasileiro de 2008, que registrou uma queda de 3,6% no quarto trimestre do ano passado em relação ao trimestre anterior.

O Brasil registrou um crescimento total no PIB de 5,1% em 2008.

As principais bolsas europeias também fecharam em alta nesta terça-feira. O FTSE, de Londres, fechou em +4,88%; o CAC, de Paris, teve valorização de 5,73% e o Dax, de Frankfurt, de 5,28%.

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