Bernanke diz que orçamento de US$ 3,5 trilhões abreviará estagnação econômica

María Peña. Washington, 3 mar (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, pediu hoje ao Congresso que aprove um plano orçamentário de US$ 3,55 trilhões para abreviar a estagnação da economia, cuja recuperação dependerá da estabilidade do sistema financeiro.

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Em várias audiências na Câmara de Representantes, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e o diretor do Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca, Peter Orszag, defenderam o plano orçamentário para o ano fiscal de 2010, apresentado pelo presidente Barack Obama na semana passada.

A ofensiva dos três funcionários no Congresso busca aumentar o otimismo em relação à recuperação da economia, afetada por restrições ao crédito, uma taxa de desemprego de 7,6% e uma crise financeira que não acaba.

A recuperação econômica, que segundo especialistas pode começar no fim de 2009, virou fixação para a Casa Branca, ainda mais considerando-se que, segundo previsões, o desemprego chegou a 7,9% no mês passado.

Na Comissão de Orçamento do Senado, Bernanke foi duramente criticado pelo resgate da seguradora American International Group (AIG).

A AIG, que teve um prejuízo de quase US$ 62 bilhões no último trimestre de 2008, recebeu ontem US$ 30 bilhões das autoridades, na quarta ajuda concedida desde setembro de 2008.

Tanto o democrata Ron Wyden como o republicano Jim Bunning se disseram frustrados pela possibilidade de que não haja um ponto final nesses resgates.

Bernanke disse "compartilhar" da fúria dos senadores e não hesitou em atacar a "irresponsabilidade" da AIG, que, em suas palavras, "explorou a enorme brecha no sistema regulador".

No entanto, o presidente do Fed afirmou que a quebra da AIG "não é uma boa opção" e que a estabilidade financeira determinará a reativação da economia.

Para Bernanke, apesar do aumento na dívida nacional e da urgência em manter a disciplina fiscal, os desafios atuais são tão "extraordinários" que requerem medidas drásticas.

"É melhor que atuemos de forma forte hoje para resolver nossos problemas econômicos. A alternativa seria um episódio prolongado de estagnação econômica que só contribuiria para um maior agravamento da situação fiscal", alertou.

Bernanke não descartou que no futuro o Congresso tenha que aumentar a ajuda ao sistema bancário e fazê-la passar dos US$ 700 bilhões aprovados em outubro passado, já que, "embora tenham havido progressos na frente financeira desde (...) o ano passado, é preciso fazer mais".

Paralelamente, o Fed lançou um programa de US$ 200 bilhões para estimular os empréstimos a consumidores e empresas, e assim amenizar a escassez de crédito.

"Devemos ver benefícios imediatos (com esse programa)", afirmou Bernanke.

Na Comissão de Recursos da Câmara de Representantes, Geithner também defendeu o plano orçamentário de Obama e reiterou que seu Governo herdou um déficit fiscal de US$ 1,3 trilhão.

O secretário do Tesouro deixou transparecer que o custo do resgate financeiro pode passar do montante aprovado em 2008, mas assegurou que Obama "trabalhará com o Congresso para determinar o tamanho e o alcance apropriado" de futuros esforços.

O funcionário acrescentou que nos próximos meses o Governo apresentará uma série de medidas e propostas contra aqueles que foram buscar a proteção de paraísos fiscais para sonegar impostos.

Já Orszag disse aos deputados da Comissão de Orçamento que a proposta orçamentária de Obama é uma "contabilidade honesta" da péssima situação fiscal dos EUA, porque leva em conta, por exemplo, os custos futuros dos conflitos no Iraque e no Afeganistão. EFE mp/sc

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