Bernanke diz que juros baixos e atual política continuarão em vigor nos EUA

Washington, 21 jul (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, disse hoje que as taxas de juros nos Estados Unidos permanecerão baixas por um bom tempo.

EFE |

Numa sessão da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes, Bernanke falou da política monetária e do papel do Governo para conter a crise financeira que atinge o país. Amanhã, ele dará continuidade às explanações, mas à Comissão de Bancos do Senado.

"Se o Governo não tivesse intervindo da forma e com a magnitude que fez em outubro passado, teríamos sofrido um colapso do sistema bancário", afirmou.

O presidente da comissão, o democrata Barney Frank, eleito por Massachusetts, disse que "o Governo federal envolveu-se profundamente na injeção de dinheiro na economia e há quem tema que isto leve a uma inflação acelerada".

O republicano Spencer Bachus, do Alabama, afirmou que, no último, os EUA viram "uma intervenção sem precedentes do Governo nos mercados financeiros".

"O que começou no ano passado como um esforço grande, mas temporário, de estabilização para impedir um colapso financeiro evoluiu, mês a mês, para um regime de intervenção governamental permanente", acrescentou.

Desde que tomou posse, o presidente americano, Barack Obama, tratou de dar mais poderes ao já independente Fed para que este gerisse melhor a crise econômica. Mas o chefe de Estado começa a encontrar uma crescente resistência no Congresso.

O deputado republicano Ron Paul, do Texas, foi mais duro nos comentários. "O Federal Reserve, em colaboração com os bancos gigantes, criou a maior crise financeira que o mundo já viu", afirmou.

"A noção tola que quantidades ilimitadas de dinheiro e crédito, criados do nada, possam sustentar o crescimento econômico nos levou a esta crise", disse.

Paul, ex-pré-candidato à Presidência pelo Partido Republicana, acrescentou que o Fed e o Departamento do Tesouro, primeiro sob a Administração de George W. Bush e agora com Obama, seguem uma política de "gastos excessivos, expansão da dívida e inflação monetária".

"Hoje, a dívida líquida dos Estados Unidos equivale a 372% de seu Produto Interno Bruto", destacou o legislador, segundo quem, na crise dos anos 1930, a quantidade devida pelo Estado era igual a "301% do PIB".

Paul também criticou duramente a compra de bônus do Tesouro pelo banco central. Para ele, "a monetarização da dívida do Governo causará um dano enorme".

Bernanke, por sua vez, disse que o Fed dará continuidade aos programas de apoio à reativação dos mercados de crédito e às taxas de juros baixas, que estão entre zero e 0,25% desde o fim do ano passado.

"Quando o panorama econômico exigir", o banco central ajustará sua política monetária, declarou.

"À luz de uma substancial fraqueza da economia e de uma limitada pressão inflacionária, a política monetária se manterá focada no estímulo à recuperação econômica", acrescentou.

"No entanto, também achamos que é importante assegurar ao público e aos mercados que as medidas extraordinárias que tomamos em resposta à crise financeira e à recessão podem ser suspensas de maneira gradual e oportuna, conforme seja necessário, evitando o risco de o estímulo levar a uma inflação maior", acrescentou. EFE jab/sc

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