Bernanke admite que economia dos EUA pode já estar em recessão

Washington, 2 abr (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, reconheceu hoje que a economia dos Estados Unidos passa por um período muito difícil e que é possível que esteja em recessão.

EFE |

Além disso, Bernanke defendeu, diante do Congresso do país, o socorro do Governo americano ao banco de investimentos Bear Stearns.

Em entrevista coletiva concedida após seu discurso perante o Comitê Econômico Conjunto do Congresso americano, Bernanke disse que "uma recessão é possível, mas este é um termo técnico que depende de dados que não estarão disponíveis por algum tempo".

"Houve um período de crescimento muito lento desde o quarto trimestre do ano passado", apontou o presidente do Fed, admitindo que "não parece provável que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça muito na primeira metade de 2008, se é que vai crescer, e ainda pode se contrair um pouco".

Bernanke acrescentou que "está claro" que a economia dos EUA - que cresceu apenas 0,6% no quarto trimestre de 2007, contra 4,9% no ano anterior - passa por um "período muito difícil".

Desde o início do discurso, o presidente do Fed teve que enfrentar perguntas de parlamentares, tanto democratas quanto republicanos, sobre o recente empréstimo de US$ 29 bilhões dado pelo Tesouro americano para que o banco JP Morgan pudesse comprar o Bear Stearns.

"Em meados do ano passado, já houve sinais que alertavam para os problemas do Bear Stearns, quando dois de seus fundos de alto risco com fortes investimentos em hipotecas de risco declararam quebra", disse o senador democrata Charles Schumer, do estado de Nova York.

"Em que altura os membros do Fed começaram a se preocupar com a viabilidade em longo prazo do Bear Stearns?", acrescentou o senador, que também criticou a demora na atuação do Governo do presidente americano, George W. Bush, para resolver a situação do banco de investimentos.

"Onde está a Justiça quando o Bear Stearns é ajudado, mas milhões de compradores de imóveis não o são?", perguntou Schumer.

O senador ainda disse que, enquanto a Administração Bush "atuou rapidamente para salvar o Bear Stearns do colapso total, se movimentou com velocidade de lesma, se é que se movimentou, para evitar que os compradores de casas fossem despejados".

O senador republicano Sam Brownback, do Kansas, argumentou que "se as instituições financeiras privadas entram em apostas arriscadas e perdem, e o Fed acaba por garantir essas apostas, os fundos dos contribuintes são colocados em risco".

"Fico preocupado quando o dinheiro dos contribuintes entra em jogo para socorrer bancos de investimentos, que supostamente sabem muito de finanças, e salvá-los dos resultados de suas próprias decisões equivocadas", protestou Brownback.

Bernanke reconheceu que embora suas "ações recentes, aparentemente, tenham ajudado a estabilizar um pouco a situação, os mercados financeiros continuam sob tensões consideráveis".

"As pressões sobre os mercados de fundos bancários de curto prazo, que foram afetados no fim do ano passado, voltaram a crescer", disse o presidente do Fed, alertando que "a inflação também causa preocupação".

"O índice de preços em despesas de consumo pessoal subiu 3,4% em um ano até fevereiro, comparado com 2,3% nos 12 meses anteriores", explicou Bernanke.

O Fed - que dá muita atenção a esse índice de preços - considera que é aceitável e saudável uma inflação entre 1% e 2% ao ano.

O banco central americano cortou as taxas de juros e injetou US$ 400 bilhões nos mercados financeiros desde dezembro, e o Governo dos EUA iniciou uma restituição de impostos no valor de US$ 150 bilhões.

No entanto, Bernanke atribuiu o aumento da pressão inflacionária aos "agudos aumentos nos preços do petróleo cru, dos produtos agropecuários e de outras matérias-primas no comércio global".

"A expectativa é de que a inflação seja moderada nos próximos trimestres. Essa esperança se sustenta, em parte, nos indícios dos mercados de futuro de uma estabilização nos preços do petróleo e de outras matérias-primas", disse o presidente do Fed. EFE jab/bba/fb

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