Berlusconi volta às eleições com perfil mais moderado

O magnata das comunicações e ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, que lidera há 15 anos a direita italiana, espera conquistar novamente o poder com um perfil mais moderado e menos agressivo.

AFP |

Abandonando seu tradicional estilo, caracterizado pelos ataques e as provocações eficazes aos seus inimigos políticos, Berlusconi, de 71 anos, empregou nesta campanha um tom menos combativo e, inclusive, foi bastante amável com seu principal adversário, o líder do Partido Democrático (PD), Walter Veltroni.

"Não o tratem mal", pediu aos militantes de seu partido em uma reunião para preparar as eleições de 13 e 14 de abril.

"Confiaram uma missão impossível a Veltroni: a de tentar fazer esquecer o comunismo", acrescentou Berlusconi, que há dois anos, nas eleições de 2006, classificou de "sem-vergonha" os italianos que votavam na esquerda, além de acusar os ex-países comunistas de ter usado corpos de criança como "adubo" nos campos de cultivo.

"Faltam poucos dias para os comícios e uma pergunta continua sem reposta: Berlusconi quer voltar de verdade a governar?", escreveu recentemente em um editorial o jornal econônimo Il Sole 24 Ore.

"Porque existem muitas dúvidas", continua o texto, que se surpreendeu quando Berlusconi chegou a admitir em público: "os que afirmam que sou velho para liderar um país moderno, talvez tenham razão".

O magnata das comunicações, que está entre os homens mais ricos da Itália e da Europa, com envolvimento no mundo editorial e das finanças, é dono ainda do clube de futebol AC Milan, e completará 72 anos em setembro.

Esta semana, ele admitiu que, se eleito, deverá tomar medidas "impopulares", ao se referir aos problemas econômicos e sociais da Itália, que passa por um momento difícil, com uma economia paralisada, salários baixos e um alto custo de vida.

Além dos problemas de imagem pela crise gerada pela suposta mozarela com dioxina e o escândalo dos lixos em Nápoles, a Itália encerrou 2007 com um crescimento de 1,5%, um dos mais baixos da União Européia.

As previsões para 2008 são ainda piores: um crescimento de 0,6%.

"Não sabemos nem podem fazer milagres", reconheceu Berlusconi em fevereiro com inusitada humildade, após comentar que "devido à situação internacional da economia, é difícil criar ilusões".

"Não gosto de política e me pergunto por que me envolvi com ela. Na verdade, sou o único que pode manter a direita unida", assegurou.

Para seu ex-aliado Pier Ferdinando Casini, líder do pequeno partido cristão-democrata UDC, Berlusconi "envelhece mal" e sua vitória vai retardar o desenvolvimento do país "em pelo menos cinco anos".

"Com o passar dos anos, alguns defeitos se agravaram", afirma Casini, vinte anos mais jovem que o dono do Milan, e defensor de uma mudança de geração na classe política.

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