Berlusconi volta ao poder e a criar polêmica na Itália

Roma, 20 dez (EFE).- O magnata Silvio Berlusconi voltou este ano ao poder como primeiro-ministro da Itália, após ganhar as eleições gerais de 14 de abril, e desde então seu Governo aprovou uma série de medidas polêmicas, entre elas várias contra os imigrantes e uma que concede imunidade jurídica ao próprio chefe de Governo.

EFE |

Até o início deste ano, Berlusconi esteve afastado das notícias, nacionais e internacionais, desde que perdera as eleições gerais de abril de 2006 frente a Romano Prodi.

A oportunidade para a volta de Berlusconi apareceu em janeiro, depois que Clemente Mastella, então ministro da Justiça e líder de um pequeno grupo democrata-cristão, provocou uma crise ao abandonar a coalizão de partidos que formavam o Executivo de Prodi.

Berlusconi não desperdiçou essa oportunidade e, aliado à extrema-direita, ganhou as eleições gerais com uma maioria absoluta na Câmara dos Deputados e no Senado.

Pouco após tomar posse como primeiro-ministro, Berlusconi voltou ao centro da polêmica com a aprovação, entre suas primeiras leis, de uma que garante a imunidade jurídica para os máximos representantes do Estado: o presidente da República, o chefe do Governo, e os líderes da Câmara dos Deputados e do Senado.

Assim, o empresário garantia sua própria imunidade frente aos dois processos existentes contra ele na Justiça italiana, nos quais é acusado de corrupção e outros crimes, e frente a outros futuros casos que possam vir à tona.

A lei acabou chegando ao Tribunal Constitucional, depois que os juízes que acompanhavam casos contra Berlusconi questionaram a conformidade da medida em relação à Carta Magna.

Uma tentativa anterior de Berlusconi de se livrar da Justiça - uma lei semelhante aprovada quando ele também era primeiro-ministro - havia sido vetada pelo Tribunal Constitucional em 2004.

A segunda decisão polêmica de Berlusconi foi colocar entre as principais prioridades de seu Governo o combate à imigração clandestina, especialmente a procedente da Romênia, nacionalidade de muitas pessoas de etnia cigana que vivem na Itália.

Sob o argumento da segurança dos cidadãos, Berlusconi aprovou um decreto-lei sobre segurança que previa, entre outras medidas, o censo dos acampamentos de ciganos e a intensificação das penas contra os imigrantes que entraram de forma irregular.

Algumas dessas medidas, que também facilitavam a expulsão dos imigrantes ilegais e dificultavam a entrada de novos estrangeiros em busca de trabalho, foram censuradas pela União Européia (UE).

Pouco antes da aprovação dessas medidas, mas já com Berlusconi no poder, foram registrados no país vários episódios de xenofobia, como o incêndio de vários acampamentos vazios de ciganos em Nápoles, em maio.

As decisões polêmicas de Berlusconi continuaram na volta das férias de verão (hemisfério norte), com a reforma promovida pela ministra da Educação, Mariastella Gelmini, para impor notas de conduta e voltar ao sistema de um único professor para várias disciplinas.

A reforma também prevê um corte de 1,5 bilhão de euros em cinco anos para o ensino superior e a possibilidade de privatizar as universidades.

Além disso, estabelece a eliminação de mais de 87 mil empregos de professores, o bloqueio de contratos aos docentes temporários e a redução de 44,5 mil postos de funcionários administrativos.

Dezenas de milhares de estudantes, professores e funcionários fizeram várias semanas de manifestações contra essa reforma, mas não conseguiram com que o Governo voltasse atrás.

Em outros aspectos, como o econômico - com o país atingido pela crise mundial -, Berlusconi manteve um comportamento discreto e seguiu estratégias semelhantes às de outros países ocidentais. EFE alg/an

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