Berlusconi vence voto de confiança, mas enfrenta pressão interna

Aumentam sinais de divisão na coalizão de premiê, que disse que renunciaria se pacote de austeridade não fosse aprovado

iG São Paulo |

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, saiu vitorioso de um voto de confiança sobre um impopular pacote de austeridade de 25 bilhões de euros nesta quinta-feira, mas ainda enfrenta uma crescente rebelião dentro de seu próprio partido.

O governo venceu a votação no Senado por 170 votos a 136, resultado que reflete amplamente o balanço de poder na câmara alta do Parlamento, na qual Berlusconi detém confortável maioria.

Em busca de reduzir as dissidências internas, Berlusconi havia alertado que seu governo teria de renunciar caso o pacote não fosse aprovado, como exige a Constituição.

O pacote de austeridade, que inclui cortes salariais no setor público e reduções drásticas no financiamento regional, será analisado agora pela câmara baixa, onde o governo também pretende convocar um voto de confiança até o fim deste mês.

O plano de ajuste econômico promovido pelo Executivo prevê uma economia de quase 25 bilhões de euros para os próximos dois anos.

Berlusconi justificou o plano neste sábado dizendo que se trata de um programa "completamente necessário" e está em linha com os pedidos da União Europeia de reduzir o déficit público.

Pressão interna

A aprovação das medidas de austeridade acontecem em um dos momentos mais conturbados dos dois anos de Berlusconi como premiê. Suas taxas de aprovação estão em queda, um amplo escândalo de corrupção abala seu governo e uma divergência pública com o aliado Gianfranco Fini ameaça a sobrevivência da coalizão governista.

A renúncia na quarta-feira de um ministro de baixo escalão resultou numa investigação judicial que é vista como um sinal da crescente tensão entre Berlusconi e Fini, presidente da câmara baixa e co-fundador do partido Povo da Liberdade.

Lei da Mordaça

Além do plano de ajuste econômico, o governo de Berlusconi também vem sendo pressionado pelo projeto sofre escutas telefônicas, apelidado pela imprensa italiana de "lei da mordaça".

No último sábado, o primeiro-ministro da Itália voltou a atacar a imprensa e a esquerda de seu país ao declarar que invocam a liberdade de imprensa como se fosse um " direito absoluto " e acrescentou que tais direitos "não existem" na democracia.

Na última semana, parte dos veículos de comunicação da Itália interrompeu suas atividades como forma de protesto contra a lei, que limita o uso e difusão de escutas telefônicas das investigações oficiais. Segundo a Federação Nacional da Imprensa Italiana (FNSI), a greve teve apoio de 90% dos jornalistas italianos. O secretário da FNSI, Franco Siddi, promotor do protesto, assegurou que a greve foi a que teve "maior participação dos últimos 15 anos", com "mais de 90% das televisões, dos jornais, das rádios e das agências de notícias", em declarações divulgadas neste sábado pelo jornal "La Repubblica".

A lei, que está em trâmite no Parlamento italiano, estabelece, entre outras medidas, penas de até 30 dias de prisão ou multas de até dez mil euros (US$ 12,6 mil) para os jornalistas que publicarem escutas durante as investigações.

A norma, avalizada pelo Senado no último dia 10 de junho, passará no plenário da Câmara dos Deputados no próximo 29 para seu debate definitivo e, embora no início era esperado que ela fosse aprovada sem mudanças, nos últimos dias a maioria conservadora deu a entender que podem ser introduzidas algumas remodelações.

Além da imprensa, o projeto de lei recebeu críticas da oposição e dos magistrados, assim como de milhares de cidadãos que em 1º de julho se manifestaram contra a norma, que também se deparou com o ceticismo do presidente italiano, Giorgio Napolitano.

Berlusconi tentou acalmar Napolitano com uma visita no sábado do ministro da Justiça italiano, Angelino Alfano, à sede da chefia de Estado para assegurar que a maioria conservadora está disposta a introduzir modificações no texto na Câmara dos Deputados.

*Com EFE e Reuters

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