BRUXELAS - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, declarou nesta quinta-feira que é favorável à ideia de retirar as tropas do Afeganistão o mais rápido possível, mas admitiu que se trata de uma decisão a ser tomada em conjunto com os outros governos que mantêm oficiais no país.


Atentado matou civis e soldados no Afeganistão / AFP


Nesta quinta-feira, seis militares italianos morreram no Afeganistão vítimas de um carro-bomba que explodiu em uma estrada que leva ao aeroporto da capital Cabul. Além deles, pelo menos outras 15 pessoas também faleceram e cerca de 60 ficaram feridas.

"Estamos todos esperançosos de poder trazer para casa os nossos garotos", disse o premiê, que está em Bruxelas (Bélgica) para uma reunião extraordinária do Conselho Europeu, que definirá a agenda da próxima Cúpula do G20, que ocorre em Pittsburgh, nos Estados Unidos, no fim deste mês.

Embora tenha manifestado apoio a uma possível saída do Afeganistão, o premiê italiano explicou que não poderia tomar qualquer decisão de maneira individual.

"Não existe, por enquanto, nenhuma ideia. É um problema internacional. Nenhum país pode decidir sozinho, porque seria trair o acordo e a confiança dos parceiros", disse.

"Estamos todos convencidos de que o melhor é sair do Afeganistão. Falei disso com [o presidente dos Estados Unidos, Barack] Obama na reunião do G8", revelou o primeiro-ministro.

Segundo ele, os países que integram a missão de paz no Afeganistão "preparam um plano" para a saída dos militares, que será "mais eficaz" na medida em que progrida também "o treinamento que será dado às forças de ordem afegãs".

"É um dia doloroso, que infelizmente nos leva à situação difícil deste país, onde demos e damos tanto em termos de sacrifícios humanos para manter e fazer crescer uma democracia essencial para a paz, não somente naquela região, mas para evitar infiltrações terroristas também no resto do mundo", avaliou o premiê.

Transição

Já o chanceler italiano, Franco Frattini, ao conceder uma entrevista à TV de seu país, disse que a estratégia militar no Afeganistão "é o instrumento, mas o objetivo é a pacificação do país".

"Não devemos falar de estratégia de saída do Afeganistão, mas de transição", ponderou. Segundo ele, é necessário descobrir "o que fazer para conquistar os corações dos afegãos".

A autoria do ataque desta quinta-feira foi reivindicada pela milícia Taleban. Segundo o ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, o carro-bomba levava 150 quilos de explosivos.

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