Berlusconi se recupera e tenta capitalizar agressão

Por Silvia Aloisi ROMA (Reuters) - Machucado, mas não abatido, o premiê italiano Silvio Berlusconi explora a agressão que sofreu no fim de semana para tentar dividir a oposição, ao adotar um tom excepcionalmente conciliador.

Reuters |

Depois de ter o nariz e alguns dentes quebrados, o político conservador de 73 anos mal consegue falar, mas poucos acreditam que o ataque cometido por um manifestante tenha atenuado sua índole combativa.

Suas brandas declarações ao deixar o hospital na quinta-feira foram imediatamente vistas como uma tentativa de rachar a oposição e facilitar a aprovação de uma reforma judicial que na prática poderia recuperar sua imunidade.

"Nos últimos dias eu me senti mais perto até de alguns líderes da oposição", disse Berlusconi. "Se eles se distanciarem dos poucos instigadores da violência, aí uma nova fase de diálogo poderá começar", afirmou por escrito.

Pareceu um claro recado para que Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático, o principal da oposição, rompa sua aliança com o pequeno partido liderado por Antonio di Pietro, um dos maiores críticos de Berlusconi.

Bersani, que visitou Berlusconi no hospital, respondeu friamente: "Sabemos o que temos de fazer. A coalizão governista e Berlusconi deveriam pensar nas suas próprias coisas".

Di Pietro resumiu a opinião de muitos centro-esquerdistas ao declarar: "Quando a oferta de diálogo vem de Berlusconi, a primeira coisa a perguntar é: onde está o truque?"

A agressão representa o auge de um ano difícil para Berlusconi, abalado politicamente por uma série de escândalos sexuais e por um divórcio turbulento, e que enfrenta a possibilidade de reabertura de processos nos quais é réu por corrupção e fraude fiscal, depois que a Corte Constitucional suspendeu sua imunidade.

Mas a onda de solidariedade depois do bizarro incidente de domingo, quando um homem com um histórico de transtornos mentais atirou uma estatueta da catedral de Milão contra o premiê depois de um comício, deve melhorar as coisas para ele - o que talvez não dure muito num país ainda profundamente polarizado em relação às suas atitudes frente ao político bilionário.

(Reportagem adicional de Paolo Biondi)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG