Berlusconi ressurge aos 71 anos e consegue seu terceiro mandato na Itália

Roma, 9 abr (EFE).- Aos 71 anos de idade, o líder conservador Silvio Berlusconi será o primeiro-ministro da Itália pela terceira vez, em um momento em que o país atravessa uma fase de desilusão e incertezas econômicas o que o levou a prometer desta vez trabalho duro no lugar de milagres.

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De acordo com dados ainda não definitivos, Berlusconi venceu hoje pela terceira vez as eleições gerais italianas ao conseguir a maioria absoluta tanto na Câmara dos Deputados, quanto no Senado com seu partido, o Povo da Liberdade (PDL).

Em uma breve declaração lida ao vivo em três canais de televisão italianos, Berlusconi - que sempre se mostrou seguro de sua vitória - disse que sentia "uma grande responsabilidade, porque os meses e os anos que a Itália tem pela frente serão difíceis e requerem uma prova de força extraordinária e capacidade reformadora".

Após dois anos na oposição, Berlusconi reinventou seu partido para estas eleições e criou o PDL (no qual integrou sua legenda de origem, Forza Italia, e a direitista Aliança Nacional), que formou coalizão com a federalista Liga Norte e o Movimento pela Autonomia.

Filho de um banqueiro de classe média, Berlusconi é o político mais rico da Itália, com uma fortuna que a revista "Forbes" calcula em quase 9,4 bilhões de euros, 400 milhões de euros a mais que nas últimas eleições, quando ocupava o primeiro posto entre os magnatas italianos - hoje é o terceiro.

O líder conservador construiu sua fortuna em uma meteórica carreira empresarial iniciada muito jovem. Com apenas 25 anos, fundou sua primeira construtora, a Cantieri Riuniti Milanese.

Em meados dos anos 70, Berlusconi abriu um canal de TV a cabo que transmitia sua programação para um dos bairros de Milão que ele mesmo havia construído. Depois, adquiriu ações da publicação "Il Giornale" antes de criar a emissora de televisão "Canale 5", em 1978.

Cerca de uma década depois, já tinha três canais privados - "Italia1", "Rete4" e "Canale 5" - que acabaram com o monopólio da rede pública "RAI", enquanto chegava ao mundo do futebol com a aquisição do poderoso clube Milan.

Seu império se estendeu naquela época com empresas como o grupo editorial Mondadori, a rede de locadoras de vídeo Blockbuster e participações na casa Olivetti, valores que reuniu no conglomerado Fininvest.

Tendo chegado ao topo em seu projeto empresarial, Berlusconi se preparou para invadir a arena política no final de 1993 com a criação do partido populista Forza Itália. Apoiada no poder dos canais de televisão do magnata, a legenda entrou de forma espetacular na disputa pelo Governo italiano.

Em apenas dois meses e com uma campanha na qual prometia administrar o Estado como se fosse uma de suas prósperas empresas, Berlusconi obteve uma arrasadora vitória sobre a centro-esquerda nas eleições de março de 1994.

Aquele Governo durou pouco. Desestabilizado pelos ataques da oposição, por polêmicos decretos de lei e, principalmente, por diversos empecilhos judiciais, seus aliados da Liga Norte decidiram retirar o apoio ao Executivo, provocando a renúncia de Berlusconi no final do mesmo ano.

As empresas do líder conservador se multiplicavam na mesma velocidade de seus problemas judiciais. A situação chegou ao ponto em que, entre 1996 e 2000, ele enfrentou até cinco processos ao mesmo tempo com acusações que iam de corrupção e suborno a falsificação de balanço.

No entanto, o magnata nunca foi preso, pois todas as ações terminaram em absolvição, prescrição do delito ou em um emaranhado de interminável burocracia judicial que prossegue até hoje.

Apesar de seus problemas com a Justiça, Berlusconi não deixou de lado o terreno político. Ele liderou a oposição até as eleições de 2001, quando reconquistou o Governo italiano com maioria absoluta no comando da coalizão conservadora Casa das Liberdades.

Nos cinco anos de mandato, o líder conservador "fez a alegria" da imprensa com suas brigas com os juízes, as leis promulgadas sob medida de seus interesses, seus retoques estéticos e sua língua afiada - que já deu muita dor de cabeça à diplomacia italiana.

Em abril de 2006, perdeu as eleições contra Romano Prodi, o que lhe afastou do primeiro plano nacional e internacional.

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