Berlusconi resiste à pressão para renunciar por escândalo sexual

Oposição pede saída de premiê italiano após abertura de processo por suposta incitação à prostituição de menores e corrupção

iG São Paulo |

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse nesta terça-feira que não renunciará ao cargo por causa de uma investigação sobre alegações de que ele pagou para fazer sexo com uma dançarina de 17 anos. "O que, vocês estão loucos?", disse Berlusconi quando questionado se cederia aos apelos da oposição para que renunciasse. "Estou absolutamente calmo, me divertindo."

AP
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, espera pela chegada do presidente da Eslovênia, Danilo Turk, em Villa Madama, Roma
Berlusconi enfrenta uma pressão crescente para renunciar depois que magistrados de Milão alegaram que muitas mulheres se prostituíram para o premiê, incluindo a dançarina de 17 anos, conhecida como "Ruby, Ladra de Corações".

Na sexta-feira, autoridades informaram que o governante é investigado por suposta incitação à prostituição de menores e por corrupção. De acordo com a imprensa italiana, a Promotoria de Milão investiga se Berlusconi cometeu abuso de poder ao pressionar a polícia para que libertasse Ruby da prisão. Além disso, quer saber se Berlusconi manteve relações com a jovem.

O líder do maior partido da oposição encabeçou as reivindicações pela renúncia do premiê, depois de um relatório de magistrados enviado ao Parlamento ter informado que um número "significativo" de jovens se prostituiu com Berlusconi em suas casas.

"Como a vida particular de Berlusconi parece ser tão intensa, ele deveria retornar a ela", disse Pierluigi Bersani, líder do Partido Democrata.

Nos últimos anos o primeiro-ministro conservador conseguiu desvencilhar-se de uma série de escândalos sexuais. Mas o mais recente deles chega em um momento difícil, já que Berlusconi não conta mais com uma maioria segura no Parlamento desde um racha com seu antigo aliado Gianfranco Fini.

Berlusconi foi aprovado por margem estreita em um voto de confiança, no mês passado, e na semana passada a Corte Constitucional italiana revogou parte de uma lei que lhe garantia imunidade judicial.

A imprensa italiana divulgou transcrições vazadas de conversas telefônicas entre algumas das mulheres que participaram de festas na mansão de Berlusconi perto de Milão, descritas como festas de "bunga bunga", uma referência a atividades de natureza sexual.

A investigação destaca Karima El Mahroug, a Ruby, uma marroquina de 18 anos que participou das festas de Berlusconi quando tinha 17 e, segundo os promotores, foi paga para fazer sexo com ele. Manter relações sexuais com uma prostituta de menos de 18 anos é crime na Itália.

As transcrições reproduzidas pela mídia italiana citam Ruby como tendo dito que pediu dinheiro a Berlusconi para ficar calada e que o premiê lhe teria dito que ela receberia "tanto dinheiro quanto você quiser" se ocultasse tudo. Em outra conversa reproduzida, uma das mulheres diz que a residência de Berlusconi é uma "casa de prostitutas".

Berlusconi afirma que as alegações são absurdas. Ele diz que nunca pagou por sexo e está em um relacionamento estável desde que se separou de sua segunda mulher, que o deixou em 2009 acusando-o de "sair com menores de idade".

*Com Reuters

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