O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, conseguiu nesta sexta-feira o apoio da maior parte do Parlamento a uma moção de confiança ao seu governo. Caso saísse derrotado na votação, o premiê teria de renunciar ao cargo.
A vitória de Berlusconi, porém, foi apertada: 316 parlamentares votaram a favor da moção de confiança, enquanto 301 votaram contra. O fato do premiê não ter conseguido o apoio de uma maioria sólida indica que ele terá dificuldades para aprovar leis em meio à crise econômica que atinge a Itália.
Berlusconi acompanha votação na Câmara dos Deputados da Itália, em Roma
Na quinta-feira, Berlusconi fez um apelo por sua sobrevivência política, dizendo ao Parlamento que seu governo é o único capaz de guiar o país durante a crise econômica.
“No plano político, não há alternativa a este governo. A oposição exerce um direito legítimo de crítica, mas hoje está dividida”, afirmou Berlusconi em um discurso de 15 minutos. “Este governo é o único democraticamente habilitado a defender o interesse nacional, sobretudo agora, com a urgência imposta pela crise.”
A moção de confiança no Parlamento foi votada após uma importante derrota para Berlusconi na terça-feira, quando a Câmara rejeitou a revisão do orçamento do exercício fiscal de 2010.
Na Itália, se o premiê, que é o chefe do governo, não tem mais a maioria no Parlamento, ele deve informar o presidente, que é o chefe de Estado, para que este convoque novas eleições ou nomeie outro político para o cargo.
A maioria reunida ao redor do PDL, partido de Berlusconi, e da Liga do Norte de Umberto Bossi está dividida a respeito de vários temas, como o plano de austeridade e a eleição do futuro presidente do Banco da Itália.
Além disso, a coalizão de governo também sofre com a queda da popularidade de Berlusconi, que está no menor índice histórico (24% em setembro). A liderança do premiê foi enfraquecida pela crise econômica e por seu suposto envolvimento em escândalos sexuais.
No caso de maior repercussão, Berlusconi é acusado de ter pago para fazer sexo com a marroquina Karima El Mahroug, conhecida como Ruby, quando ela ainda era menor de idade.
Com AP, AFP e Reuters
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