Berlusconi promete combater crime e incentivar economia

Por Stephen Brown ROMA (Reuters) - O empresário Silvio Berlusconi prometeu na terça-feira usar sua vitória folgada nas eleições gerais para aprovar reformas econômicas e fechar as fronteiras aos imigrantes ilegais como forma de combate a criminosos que acusou de formarem um exército do mal.

Reuters |

O político conservador, 71, conquistou seu terceiro mandato como primeiro-ministro, mas dependerá do apoio do partido xenófobo Liga do Note, que obteve 8 por cento dos votos, para ter uma bancada majoritária no Parlamento.

Em comentários que devem agradar à Liga, Berlusconi prometeu adotar medidas duras de combate à criminalidade, atribuída por muitos italianos aos imigrantes ilegais, bem como salvar a companhia aérea Alitalia e resolver a crise do lixo em Nápoles.

'Uma das primeiras coisas a serem feitas é fechar as fronteiras e criar mais campos para identificar os cidadãos estrangeiros que não possuem emprego e que são obrigados a ingressar na vida criminosa', disse Berlusconi.

'Em segundo lugar, precisamos de mais policiais formando um 'exército do bem' nas praças e nas ruas para que protejam o povo italiano do exército do mal', afirmou ele em entrevista concedida a um canal de TV.

Berlusconi, um convicto aliado dos Estados Unidos na chamada 'guerra contra o terror' quando estava no poder, recebeu uma ligação do presidente norte-americano, George W.

Bush, felicitando-o pela vitória nas eleições, realizadas no domingo e na segunda-feira.

'O presidente aguarda ansiosamente para trabalhar novamente com ele', disse Dana Perino, porta-voz da Casa Branca.

Mas agências de avaliação de crédito disseram-se preocupadas com Berlusconi, cujo governo entre 2001 e 2006 assistiu a uma reversão na tendência de queda do déficit público na Itália, o terceiro maior do mundo.

Apesar de muitos italianos estarem desiludidos com a política e duvidarem da capacidade do governo de sanar rapidamente os problemas da quarta maior economia da União Européia (UE), o fato de o novo dirigente ter obtido um bom desempenho nas urnas o ajudará a verem aprovadas reformas no Parlamento.

'O resultado é uma boa notícia: o poder de chantagem dos partidos menores reduziu-se drasticamente e a Itália está hoje mais próxima da experiência de vários outros países europeus', disse o economista Marco Valli, do banco UniCredit.

O Parlamento viu-se livre de partidos anões que antes mantiveram coalizões governistas reféns e agora contará apenas com seis legendas (ao contrário das 20 presentes depois da eleição de 2006). Romano Prodi anunciou sua saída do cargo de primeiro-ministro no dia 20 de janeiro após um pequeno partido católico haver se retirado da coalizão liderada por ele.

'Agora, governaremos como as grandes democracias ocidentais, com um grande partido no poder e um grande partido na oposição', afirmou Berlusconi.

Durante sua campanha, o político prometeu cortar os impostos incidentes sobre a primeira moradia e sobre fontes extras de renda a fim de ajudar os consumidores e incentivar o crescimento da economia.

Berlusconi, no entanto, fracassou outras vezes ao tentar implementar reformas de peso e controlar os gastos públicos.

Do pleito, saiu como terceira maior força do Parlamento a Liga do Norte. Já as legendas de esquerda perderam muito espaço e, pela primeira vez na memória recente do país, o órgão italiano não contará com a presença de ao menos um parlamentar socialista ou comunista.

(Reportagem adicional de Valentina Za)

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