MILÃO (Reuters) - Um promotor milanês concluiu nesta sexta-feira uma investigação de enriquecimento ilícito e fraude fiscal envolvendo o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, e pode solicitar que ele seja levado a um novo julgamento. O caso diz respeito a fatos ocorridos até 2009, envolvendo Berlusconi, sua empresa Mediaset e sua controladora, a Fininvest, segundo um documento judicial obtido pela Reuters.

O presidente da Mediaset, Fedele Confalonieri, e o vice-presidente, Pier Silvio Berlusconi, filho do premiê, também foram investigados.

O primeiro-ministro já é réu em dois processos de corrupção reabertos graças a uma decisão da principal corte italiana que revogou a imunidade judicial à qual ele tinha direito como governante.

O caso Mediaset envolve a aquisição de direitos de televisão pela empresa que, segundo o promotor, foram adquiridos por um valor inflado junto a duas companhias no exterior, ambas controladas por Berlusconi.

O produtor norte-americano de TV Frank Agrama está entre os acusados. O promotor afirma que Agrama e Berlusconi agiram em conluio para obterem dinheiro irregularmente da Fininvest e da sua subsidiária Mediaset, prejudicando acionistas e sonegando impostos nos EUA e na Itália.

Niccolò Ghedini, advogado de Berlusconi, rejeitou as acusações, dizendo que os promotores de Milão estão determinados a processar Berlusconi.

Em nota, a Mediaset chamou as acusações de "absurdas" e insistiu que a contabilidade da empresa é "totalmente transparente e legal."

Ghedini afirmou que a promotoria preparou a conclusão das acusações e o pedido de julgamento contra Berlusconi para que coincidissem com a campanha eleitoral para as eleições regionais de março, a fim de prejudicar o governo.

Na Itália, quando os magistrados concluem uma investigação, a lei os obriga a informar os advogados dos réus, que têm várias semanas para responder às acusações.

Após ouvir ambas as partes, um juiz de instrução decide se há provas suficientes para determinar um julgamento.

O conservador Berlusconi, homem mais rico da Itália, se diz repetidamente vítima de juízes tendenciosos, interessados em destruí-lo. Ele quer mudanças radicais para acelerar o Judiciário, mas críticos dizem que sua verdadeira intenção é evitar os julgamentos, já que as reformas na prática levariam ao arquivamento de dois processos já em andamento.

(Reportagem de Emilio Parodi)

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