O escândalo sexual que atinge o chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, alimentado pelas novas revelações de seus encontros com uma prostituta de luxo, começa a repercutir negativamente sobre sua imagem, que já registra uma queda de confiança, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira.

A publicação, nesta terça, de mais quatro supostas gravações de conversas íntimas de Berlusconi com a garota de programa - nas quais descobre-se que ele não utiliza preservativos e propõe a prática de sexo grupal -, se soma às fotos divulgadas há alguns meses, que mostram as festas com lindas jovens e prostitutas de luxo que aconteciam em sua mansão de férias da Sardenha.

A picante vida do milionário chefe do governo italiano, que até a semana passada parecia ser tratada com humor pelo eleitorado do país, começa a pesar politicamente, depois da publicação de suas conversas íntimas em uma revista tradicionalmente séria como a L'Espresso.

Os diálogos, divulgados no site da revista e acessados por todo o mundo, foram classificados como "inverossímeis" pelo advogado de Berlusconi, Niccoló Ghedini, que ameaçou com ações legais qualquer pessoa ou meio que os reproduza.

Apesar disso, nem Berlusconi nem seu batalhão de advogados denunciaram a revista formalmente até agora para provar que as gravações são falsas.

Além disso, trechos das conversas foram reproduzidos pela maioria dos meios de comunicação escritos italianos, incluindo o jornal da família Berlusconi, o Il Giornale, assim como boa parte da imprensa internacional.

Mas o que era apenas uma fofoca está se transformando em um drama político. O chefe de governo italiano, que decidiu se manter discreto e ainda não se pronunciou sobre o caso, perdeu quatro pontos de popularidade.

Nesta terça-feira, recebeu uma verdadeira ducha de água fria ao ser informado que, pela primeira vez, o índice de confiança dos italianos em seu governante caiu para menos de 50%.

Segundo a sondagem do instituto IPR, realizada em julho e divulgada pelo jornal La Repubblica, 49% dos italianos entrevistados disseram ainda confiar em Berlusconi, contra 50% que afirmaram confiar "pouco" ou "nada".

"Esta pesquisa comprova que seu eleitorado está desconcertado", estimou o cientista político francês Marc Lazar, especializado em Itália.

A oposição de esquerda, que pediu ao primeiro-ministro que esclareça o caso perante o Parlamento, não conseguiu aprovar uma monção de repúdio a seu comportamento privado nesta terça-feira.

Os parlamentares governistas derrubaram a iniciativa, afirmando que se trata de uma campanha montada pela esquerda para desprestigiar Silvio Berlusconi.

"Ele está ferido, mas não está morto. A verdadeira prova será em outubro, quando explodir a crise econômica", comentou Lazar.

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