Berlusconi pede respeito a segredos de Estado em julgamento

Roma, 15 out (EFE).- Os advogados dos agentes secretos italianos acusados do seqüestro do imame Abu Omar levaram hoje ao juiz uma carta do premier Silvio Berlusconi, na qual se lembra que os funcionários públicos devem guardar segredos de Estado em assuntos internacionais.

EFE |

A carta, que foi enviada ao Ministério da Defesa, do Interior e aos chefes dos serviços secretos, diz que o segredo de Estado deve viger "nas relações entre serviços secretos italianos e estrangeiros, também em referência ao chamado seqüestro Abu Omar".

A possibilidade de se amparar em segredo de Estado está atrasando o desenvolvimento do julgamento que ocorre em Milão desde 8 de junho, o primeiro na Europa relativo aos chamados Vôos da CIA (serviço de inteligência americano).

Os promotores do caso, Armando Spataro e Ferdinando Pomarici, pediram hoje ao juiz Oscar Magi que considere o seqüestro do imame como um "feito subversivo da ordem constitucional" para poder eliminar qualquer referência ao segredo de Estado.

A acusação fez este pedido depois que uma das testemunhas mais importantes do caso, um ex-chefe de Gabinete dos Serviços Secretos Militares Italianos, Giuseppe Scandone, se amparasse no segredo de Estado para não responder algumas perguntas.

No julgamento estão no banco dos réus 35 pessoas, entre elas 26 agentes dos serviços da CIA, que o tribunal de Milão julga à revelia por não se apresentarem.

Abu Omar foi seqüestrado em 2003 quando saía de sua casa em Milão, supostamente por agentes da CIA, e levado ao Egito, onde foi preso e torturado, conforme denunciou o próprio imame após ser libertado em 2007. EFE ccg/rr

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