Sharm el-Sheikh (Egito), 2 mar (EFE).- O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, propôs hoje o lançamento de um Plano Marshall para reativar a economia dos territórios palestinos e elevar o nível de vida de seus habitantes.

A proposta foi feita por Berlusconi na conferência internacional para a reconstrução de Gaza realizada hoje na cidade turística egípcia de Sharm el-Sheikh, com a presença de representantes de mais de 70 países.

Berlusconi, em seu discurso, disse que seu país oferecerá US$ 100 milhões para a reconstrução da Faixa de Gaza, e acrescentou que os outros países europeus farão contribuições maiores.

"Há anos, propus o lançamento do Plano Marshall para a economia palestina e, de novo, apresento aqui para o povo palestino", afirmou Berlusconi.

O primeiro-ministro da Itália disse que insistirá em sua proposta quando a Itália for sede da reunião do G14. Berlusconi propôs como fundamento deste plano o fomento do turismo nos territórios palestinos, e especialmente o religioso.

A ideia do primeiro-ministro da Itália foi bem recebida por vários líderes internacionais, entre eles o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que recebeu o apoio incondicional dos líderes internacionais reunidos na conferência.

Tanto Berlusconi quanto os outros dirigentes que participaram da sessão inaugural mostraram sua solidariedade ao povo de Gaza, mas exigiram que o movimento palestino Hamas reconheça o Estado de Israel e abandone a luta armada.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também presente à conferência, lembrou que, "se o Hamas quer ser respeitado, deve adotar uma postura respeitável, que é negociar com Israel".

Sarkozy disse que a situação humanitária em Gaza "é muito preocupante" e expressou a necessidade da reabertura das passagens fronteiriças de Gaza, que permanecem fechadas desde que o Hamas assumiu o controle deste território palestino.

O chefe de Estado francês também insistiu em que o tempo corria contra uma possível solução e pediu a realização, antes do fim do ano, de uma conferência internacional para promover a paz no Oriente Médio.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ressaltou que as prioridades das Nações Unidas eram o acesso dos trabalhadores de sua organização para fazer chegar a ajuda humanitária, a abertura das fronteiras, o apoio à ANP, a reconciliação palestina e um processo de paz global.

"Não há nada mais importante", disse o secretário-geral da ONU sobre este último ponto, que também se uniu à chamada dos outros líderes, que pediram que Israel trabalhe pela paz e se comprometa com os compromissos contraídos.

Neste sentido, o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, dirigiu palavras duras a Israel, exigindo a necessidade de "garantir que a agressão israelense não volte a ocorrer".

Além disso, denunciou a política israelense nos territórios palestinos ocupados e insistiu em que a destruição da infraestrutura civil não pode ser incluída na luta contra o terrorismo.

Segundo a ANP, a reconstrução urgente da infraestrutura civil em Gaza requer US$ 1,9 bilhão. Antes e durante a conferência de hoje, países doadores ofereceram uma assistência de cerca de US$ 3 bilhões. EFE jfu/an

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