Berlusconi pede desculpas e oferece 5 bilhões de dólares a Trípoli pela colonização

A Itália apresentou neste sábado um pedido de desculpas solene à Líbia e se comprometeu a investir nesse país cinco bilhões de dólares nos próximos 25 anos como uma indenização pelo período colonial.

AFP |

"O acordo se refere a cerca de 200 milhões de dólares por ano durante os próximos 25 anos sob forma de investimentos em grandes projetos de infra-estrutura na Líbia", havia afirmado Berlusconi em sua chegada a Benghazi.

Esse acordo, que procura pôr fim a hostilidades herdadas de várias décadas de ocupação e colonização no século passado, foi assinado pouco depois pelo chefe de governo italiano e pelo líder líbio Muammar Kadhafi no jardim de um antigo palácio do governo italiano em Benghazi, durante o período de ocupação italiana.

"É meu dever, como chefe de governo, manifestar em nome do povo italiano nosso arrependimento e nosso pedido de desculpas pelas profundas feridas provocadas pela colonização italiana no povo líbio", declarou Berlusconi, cujas palavras foram traduzidas para o árabe.

Anteriormente, Berlusconi havia reverenciado o filho de um herói da resistência líbia contra o ocupante italiano, Omar Mokhtar, em um gesto simbólico.

"Trata-se de um momento histórico durante o qual homens corajosos atestam a derrota do colonialismo", declarou Kadhafi erguendo o braço em sinal de vitória.

"O povo líbio sofreu uma injustiça e foi agredido em seu território e merece um pedido de desculpas e compensações", disse, na presença dos embaixadores creditados em Trípoli e dos filhos e netos dos heróis da resistência.

"O acordo deve pôr fim a 40 anos de inimizades. É um reconhecimento concreto e moral dos estragos infligidos à Líbia pela Itália durante o período colonial", havia declarado Berlusconi ao chegar em Benghazi.

Berlusconi indicou que entre os projetos que serão financiados por seu país está a construção de uma estrada que atravessa a Líbia de oeste a leste, ligando a Tunísia ao Egito, a pedido de Trípoli.

O acordo prevê também a construção "de um enorme número" de casas, a instalação de empresas italianas na Líbia, bolsas para estudantes líbios na Itália e pensões para mutilados vítimas de minas antipessoais depositadas pelos italianos durante o período colonial, disse Berlusconi.

Ele previu também uma cooperação na luta contra a emigração clandestina.

A Itália exige, em contrapartida, esforços por parte da Líbia na luta contra a imigração clandestina. Uma cooperação como essa esbarrava nas compensações exigidas por Trípoli por mais de trinta anos de ocupação italiana de 1911 a 1942.

Berlusconi levou para Benghazi a "Vênus de Cirena", magnífica estátua sem cabeça do século II dC descoberta em 1913 por arqueólogos italianos em solo líbio.

A estátua foi oficialmente entregue por Berlusconi ao coronel Kadhafi após a assinatura do acordo.

A visita de Berlusconi coincide com as celebrações que marcam o 39º aniversário da Revolução Líbia, no dia 1º de setembro de 1969, que levou o coronel Kadhafi ao poder.

O acordo sobre as compensações assinado por Líbia e Itália é apresentado duas semanas após a assinatura de um acordo sobre as indenizações às vítimas norte-americanas e líbias do conflito entre os dois países nos anos 80.

Em Roma, a Associação dos Repatriados Italianos da Líbia manifestou a sua indignação em relação ao valor das indenizações.

A associação luta há 38 anos para obter do Estado italiano uma lei de compensação em favor dos milhares de italianos expulsos da Líbia pelo coronel Muammar Khadafi em 1970.

ila/dm

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