Berlusconi nega impacto de derrota eleitoral em coalizão de direita

Segundo premiê italiano, perda em reduto tradicional de Milão não ameaça apoio da extrema direita da Liga do Norte a seu governo

iG São Paulo |

AFP
Partidários de Giuliano Pisapia celebra resultado das eleições no centro de Milão
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, negou que a coalizão que lhe garante maioria parlamentar estaria ameaçada com a derrota nas eleições municipais de domingo e assegurou nesta segunda-feira que a maioria governamental está coesa e decidida a continuar adiante, apesar da derrota de seu partido, Povo da Liberdade (PDL), em redutos importantes, como a capital econômica Milão.

"Perdemos, isso é evidente. Não existe outro caminho senão o de permanecer tranquilo e seguir adiante. A maioria está coesa e determinada a realizar as reformas", manifestou Berlusconi em Bucareste, capital da Romênia, onde se encontra em viagem oficial.

Liga do Norte

Berlusconi explicou que, após saber os resultados do pleito, havia falado com o líder da Liga Norte (LN), Umberto Bossi, que lhe garantiu que continuaria apoiado o governo do premiê. Segundo analistas, a perda de Milão poderia representar uma ameaça à coalizão do partido de Berlusconi com a LN. Após a derrota no primeiro turno, inclusive, Berlusconi chegou a cogitar a mudança de dois ministérios para a capital econômica do país, em uma tentativa também de apaziguar os ânimos de seus parceiros de extrema direita, que ameaçavam desertar do governo em caso de derrota no pleito.

A centro-direita no poder na Itália perdeu nesta segunda-feira, no segundo turno, a Prefeitura de Milão, um de seus redutos tradicionais que nos últimos 18 anos esteve governada pela centro-direita, e enfrentou uma dura derrota em Nápoles para o partido progressista Itália dos Valores (IDV).

Fiel ao estilo mostrado durante a campanha eleitoral, Berlusconi comentou que cada vez que sofre uma derrota consegue "triplicar suas forças" e considerou não ter culpa do ocorrido. O premiê declarou ainda que agora "os milaneses devem rezar a Deus para que não aconteça algo negativo".

Na capital econômica do país a prefeita Letizia Moratti, candidata do PDL, obteve 44,89% dos votos contra 55,1% conquistado pelo candidato da centro-esquerda, Giuliano Pisapia, pertencente à Partida Democrata (PD).

A perda de Milão uniu-se à impossibilidade de impor-se em outras cidades como Cagliari e Trieste, assim como à contundente derrota sofrida em Nápoles, onde o candidato do PDL, Gianni Lettieri, obteve 34,62% dos votos contra 65,37% do candidato do opositor IDV, o ex-juiz Luigi De Magistris.

Sobre a derrota em Nápoles, Berlusconi assegurou que os moradores da cidade "se arrependerão muito" por terem votado em De Magistris. 

Com essas eleições municipais parciais, a Itália renovou 1.315 prefeituras e 11 cargos de deputado provincial. A maior parte dos vencedores foi decidida no primeiro turno, realizado nos dias 15 e 16 de maio.

*Com EFE

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