Berlusconi leva vaso chinês e espada da sede do governo

Quando recebeu o vaso da delegação chinesa, o ex-premiê disse que preferia que ele fosse adornado 'com cenas do Kamasutra'

iG São Paulo |

O ex-premiê italiano Silvio Berlusconi retirou na terça-feira os pertences pessoais de seu gabinete no palácio presidencial, o Palácio Chigi. Entre os objetos levados por Berlusconi estavam um vaso chinês da Dinastia Ming, uma espada do Cazaquistão e três fotos, informou nesta quarta o jornal La Repubblica.

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AP
Primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, deixa Palácio Quirinale depois de entregar sua renúncia ao presidente Giorgio Napolitano em Roma (12/11)


O precioso vaso foi um presente da delegação oficial chinesa, enquanto a espada foi doada pessoalmente pelo presidente do Cazaquistão, Noursoultan Nazarbaiev, disse a publicação.

Ao receber o vaso, Berlusconi brincou fingindo que ia deixá-lo cair, o que surpreendeu seus interlocutores. Também segundo o jornal o ex-premiê comentou que as flores da decoração do objeto “eram muito bonitas, mas que, da próxima vez, preferia que o vaso fosse adornado com cenas do Kamasutra”, referindo-se ao célebre texto hindu que trata do compromisso sexual do homem – e que não está relacionado com a China.

As três fotos que empacotou, em compensação, são as que retratam os últimos dois papas, João Paulo II e Bento XVI, e o ex-presidente americano George W. Bush, a quem considera um verdadeiro amigo.
O jornal recorda que Berlusconi nunca gostou do Palácio Chigi, e que preferia receber seus ministros e amigos em sua residência privada, o Palácio Grazioli, a poucos metros de distância.

Quando em 2008 entrou na sede do governo depois de vencer as legislativas, seu primeiro comentário foi: "Esse lugar cheira mal", afirma a publicação.

Decidiu, por isso, decorá-lo a seu gosto, suscitando polêmicas, já que pediu obras de arte de importantes museus e, inclusive, acrescentou um pênis a uma antiga estátua de mármore de Marte e um braço a Vênus, o que lhe valeu críticas de especialistas e arqueólogos .

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Berlusconi renunciou no sábado depois que a Câmara Baixa aprovou medidas de austeridade reivindicadas pela União Europeia (UE), abrindo espaço para uma transição cujo objetivo é tirar a Itália da crise econômica.

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Na terça-feira, o premiê italiano prometeu deixar o poder assim que o pacote de austeridade fosse aprovado pelo Parlamento.

A decisão pela renúncia foi tomada após o Orçamento ter sido aprovado por 308 votos, oito a menos do que a maioria absoluta de 316, em uma votação que contou com 321 abstenções. A perda da maioria tornou insustentável a permanência de Berlusconi no poder.

Berlusconi continua sendo deputado de sua formação de direita, Povo da Liberdade (PdL), em um Parlamento com mandato até 2013, e tem imunidade parlamentar, o que leva muitos a duvidarem que ele abandonará a política.

O líder italiano se defende de três acusações na justiça, sendo o mais famoso deles o Rubygate , no qual é acusado de ter pago a uma menor marroquina, conhecida como Ruby, por serviços sexuais. Nesse mesmo caso, Berlusconi também é acusado de abuso de poder por intervir ante a polícia de Milão para que liberasse Ruby após ela ter sido detida por roubo em maio de 2010.

Já no caso Mills, Berlusconi é suspeito de ter pago US$ 600 mil a seu ex-advogado britânico David Mills, nos anos 90, para que fizesse um falso testemunho. Por último, no processo Mediaset, Berlusconi foi acusado de ter aumentado artificialmente os preços dos direitos de divulgação de filmes para constituir um "caixa dois" no exterior, reduzir seus lucros na Itália e pagar menos impostos.

Também nesta quarta, assumiu oficialmente o cargo de premiê do país o economista e ex-comissário europeu Mario Monti.

Com AFP

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