Roma, 25 jan (EFE).- O presidente do Governo italiano, Silvio Berlusconi, se envolveu novamente em uma polêmica ao dizer que, para evitar os casos de estupro e garantir a segurança das mulheres, era preciso aumentar o contingente de soldados nas ruas.

Em resposta, a oposição qualificou as declarações do líder italiano de "irresponsáveis e insensíveis".

"Teríamos que ter (nas ruas) soldados no mesmo número das belas mulheres italianas, creio que não conseguiríamos isso nunca", disse Berlusconi em Sassari, ilha de Sardenha.

As declarações tinham como base os recentes casos de estupro registrados em Roma e Guidonia, e o anúncio feito pelo próprio líder de que aumentará para 30 mil os soldados que patrulharão as principais cidades.

Berlusconi acrescentou que, mesmo no Estado mais militarizado e policial, há casos de estupro, "por isso não se pode pensar em colocar nas ruas um contingente deste tamanho".

As palavras de Berlusconi foram duramente criticadas pela oposição e, assim, o líder do Partido Democrata (PD), Walter Veltroni, qualificou as declarações como a "enésima piada de mau gosto" do presidente do Governo, "diante do drama de tantas mulheres estupradas nestes dias".

Veltroni acrescentou que se trata de uma nova demonstração da "pouca responsabilidade e sensibilidade" de Berlusconi perante a violência sofrida por tantas mulheres e que marca suas vidas.

Vittoria Franco, dirigente do PD, disse que Berlusconi teria feito melhor "em ficar calado em vez de ofender as mulheres", e Luca Volonté, do partido democrata-cristão UDC, o acusou de ser "irresponsável".

"Um soldado para cada bela mulher? Talvez Berlusconi pense que todos os italianos são desenfreados e irresponsáveis", disse Volonté, que acrescentou que as declarações revelam a falta de capacidade do Governo de garantir a segurança dos cidadãos.

Diante da polêmica originada, Berlusconi se defendeu afirmando que foi apenas "um cumprimento" às mulheres italianas, e, sem perder o humor e a calma, afirmou que a esquerda de novo mostrava sua "indecência" e se agarrava a qualquer coisa para atacá-lo.

Na tentativa de aplacar a polêmica, Berlusconi acrescentou que o estupro é um crime "indigno, incivil e execrável, ponto e basta".

EFE jl/db

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