Com ausência do premiê, acusado de pagar para ter sexo com uma menor de idade, nova audiência é marcada para 31 de maio

O julgamento do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, acusado de pagar para ter sexo com uma menor de idade, foi adiado para 31 de maio. O processo começou a ser analisado por um tribunal de Milão nesta quarta-feira, mas nem o premiê nem a garota envolvida no caso, conhecida como Ruby, estiveram presentes na audiência.

Berlusconi também é acusado de abusar de sua influência para liberar a menina - a dançarina Karima El Mahroug, de origem marroquina - quando ela estava sob custódia em uma delegacia sob acusação de furto. O premiê italiano refuta as acusações e diz que o caso é politicamente motivado.

Manifestantes protestam contra Berlusconi em frente a tribunal em Milão
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Manifestantes protestam contra Berlusconi em frente a tribunal em Milão

A audiência desta quarta-feira durou apenas sete minutos. Do lado de fora do tribunal, mais de cem jornalistas participavam da cobertura do julgamento. Dezenas de policiais também foram mobilizado para manter a ordem no local, onde aconteceram pequenas manifestações a favor e contra Berlusconi.

O líder alegou, por meio de seus advogados, que não participaria da audiência porque estaria em uma reunião ministerial em Roma. A advogada de Ruby, Paola Boccardi, não explicou o motivo da ausência de sua cliente, mas informou que não se constituirá parte civil no julgamento.

Com isso, Ruby não poderá pedir indenização no caso de Berlusconi ser condenado, e seus advogados não poderão questionar testemunhas. Do contrário, disse Boccardi, seria como admitir que as acusações são verdadeiras. "Karima não acredita que sofreu qualquer dano", afirmou a advogada.

Os advogados e aliados políticos de Berlusconi tentam transferir o julgamento do tribunal em Milão para o Tribunal de Ministros, onde o premiê possui maior influência. A Câmara dos Deputados, controlada pelo partido do líder, recomendou a mudança de tribunal, que será julgada pela Corte Constitucional italiana.

Seja qual for o tribunal, se for considerado culpado Berlusconi pode ser condenado a até 15 anos de prisão, mas analistas políticos esperam um processo demorado, atravancado por atrasos e apelações.

Ao longo dos próximos meses cerca de 20 mil páginas de documentos serão submetidas à Justiça. Entre a documentação a ser apresentada estão gravações telefônicas sobre detalhes das festas de Berlusconi em seu casarão.

A lista de 78 testemunhas do lado do premiê inclui nomes como o astro de Hollywood George Clooney e a sua namorada, a modelo e estrela de TV italiana Elisabetta Canalis, que estariam entre os convidados do premiê em uma das supostas festas. A Justiça ainda vai definir se o casal será convocado.

A promotoria acusa Berlusconi, 74, de ter feito sexo pago com Ruby - que na época tinha 17 anos - no fim do ano passado. Os advogados sustentam que o premiê manteve relações sexuais com a dançarina em 13 ocasiões entre setembro de 2009 e maio de 2010.

Karima teria participado de festas eróticas, chamadas de "bunga bunga", na residência do premiê em Milão, junto com outras jovens. Ruby nega ter feito sexo com Berlusconi e trabalhar como prostituta.

O premiê italiano é réu em quatro processos diferentes - além do caso envolvendo Ruby, outros três por corrupção. No fim do mês passado, ele compareceu pela primeira vez em quase oito anos perante a Justiça para responder por acusações de fraude fiscal envolvendo sua empresa de mídia, Mediaset.

Partidária de Berlusconi mostra calcinha em frente ao tribunal em Milão
AP
Partidária de Berlusconi mostra calcinha em frente ao tribunal em Milão

Com BBC e AP

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