Berlusconi enfrenta votação decisiva nesta quarta-feira

Parlamento italiano decidirá se dá um voto de confiança ao governo liderado pelo premiê

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta nesta quarta-feira uma votação decisiva no Parlamento, que decidirá se dá um voto de confiança ao governo. Se o premiê sair derrotado, será forçado a renunciar e uma nova eleição deverá ser convocada.

Antes da votação, no início da manhã, Berlusconi discursou no Parlamento e disse que a Itália não pode correr o risco de um período prolongado de turbulência política em tempos de crise econômica. "É absolutamente do interesse do nosso país não correr o risco de um período de instabilidade neste momento em que a crise ainda não acabou", disse o premiê, que completa 74 anos nesta quarta.

AFP
Silvio Berlusconi discursa no Parlamento italiano

Ele também leu um documento que contém os cinco principais pontos do programa de governo: federalismo econômico, reforma tributária, iniciativas para o sul, Justiça e Segurança.

Parlamentares rebeldes da centro-direita italiana expressaram sua satisfação com o discurso de Berlusconi e confirmaram que o grupo vai apoiar o premiê na votação. Embora Berlusconi tenha conseguido novos apoios de centristas e de outros partidos, ele precisa do apoio do grupo rebelde, liderado pelo seu ex-aliado e atual rival Gianfranco Fini, para ter certeza absoluta que sairá vitorioso do voto de confiança.

Italo Bocchino, membro importante do grupo de Fini, disse que o discurso de Berlusconi esteve em linha com o programa de reforma apoiado por eles. Outro aliado de Fini, Benedetto Della Vedoya, classificou o pronunciamento de "positivo". "Vamos dizer sim na votação de confiança", disse Andrea Ronchi, outro aliado de Fini.

A votação ocorrerá à tarde (no horário de Brasília). Se perder, Berlusconi será forçado a renunciar, embora o lado de Fini - que corre o risco de perder terreno caso novas eleições sejam convocadas - tenha declarado várias vezes que não votará para derrubar o governo.

O futuro do governo está em xeque desde que Berlusconi expulsou Fini do partido Povo da Liberdade, concebido por eles em 2008 como uma força nova para unir a centro-direita do país.

Não há nenhuma grande diferença política entre os dois, mas mesmo pelos padrões da política italiana, o desacordo entre Berlusconi e Fini tem sido alimentado por acusações de traição, corrupção, mentiras e ofensas de ambos os lados.

Fini acusa o empresário bilionário Berlusconi de administrar o governo como uma de suas companhias privadas e tem sido um crítico mordaz da série de escândalos envolvendo associados do primeiro-ministro.

Berlusconi, por sua vez, acusa Fini, que é presidente da Câmara dos Deputados, de traição e afirma que ele é motivado apenas por seu egocentrismo e sua ambição pessoal.

Com EFE e Reuters

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