Berlusconi e Putin tratam de colaboração em energia e do futuro da Alitalia

Roma, 18 abr (EFE).- O futuro primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e o presidente russo, Vladimir Putin, conversaram nesta sexta-feira sobre as possibilidades de cooperação no setor energético e sobre o futuro da companhia aérea Alitalia, na qual a russa Aeroflot tem interesse.

EFE |

Putin, que tem grande probabilidade de ser o próximo primeiro-ministro da Rússia, concluiu hoje uma visita privada de dois dias à ilha de Sardenha, onde Berlusconi tem uma de suas residências, poucos dias depois da vitória deste nas eleições gerais na Itália.

Em entrevista coletiva, Berlusconi revelou que falaram sobre "muitos temas de interesse", desde o fornecimento de gás às possibilidades de melhorar as relações em matéria comercial.

Putin, que destacou o bom momento das relações bilaterais, opinou que a mudança de Governo nos dois países contribuirá "para um desenvolvimento mais ativo" dos vínculos bilaterais, com um aumento da colaboração em todos os campos.

Os dois abordaram o futuro da companhia aérea Alitalia, que atravessa uma delicada situação financeira e está em processo de privatização, sendo que há duas semanas negociou com o grupo Air France-KLM.

A russa Aeroflot, segundo Putin, está disposta a retomar os contatos com Alitalia. Esteve interessada na companhia no início do processo, embora tenha se retirado no final.

Putin revelou que hoje falou com o presidente da Aeroflot, Valeri Okulov, que mostrou sua disposição nesse sentido e acrescentou que o resultado dependerá das negociações entre ambas.

Sobre o futuro incerto da Alitalia, Berlusconi afirmou que a situação está muito aberta e há contatos em andamento com a Air France-KLM, apesar de declarar que ele gostaria que fosse dada "vida a um grande grupo internacional" no qual a Alitalia participasse "nas mesmas condições" com as outras duas companhias.

Acrescentou que, quando as negociações com a Air France forem fechadas, estarão dispostos a "estender a possibilidade de acordos futuros com outras companhias", como a Aeroflot.

A Itália é o quarto parceiro comercial da Federação Russa, o segundo por importações procedentes desse país e o sétimo por exportações para este, disse Berlusconi.

Assegurou que a Itália "gostaria de subir posições nessa classificação" e ressaltou o consistente crescimento econômico russo.

Quanto às possibilidades de colaboração, Berlusconi destacou a relação entre a empresa de hidrocarbonetos italiana Eni e a russa Gazprom, indicando que há perspectivas "realmente interessantes".

"Existe o desejo de fazer coisas juntas entre Eni e Gazprom.

Existem possibilidades de ampliação desta colaboração e nós estamos certamente interessados no que se refere à Itália", acrescentou.

O presidente russo, que chegou ontem à Sardenha vindo da Líbia, onde também falou sobre questões energéticas, compartilhou a visão de Berlusconi sobre as possibilidades de cooperação entre esses dois gigantes da energia.

Quanto à questão internacional, Berlusconi afirmou que, entre outros temas, conversaram a respeito da situação no Líbano dizendo que as tropas italianas permanecerão nesse país "junto aos outros aliados" e "não haverá absolutamente nenhuma mudança".

Sobre as relações entre a Rússia e a União Européia (UE), Berlusconi se mostrou a favor de eliminar os vistos entre ambas as partes e anunciou que trabalhará nesse sentido.

A entrevista coletiva, retransmitida ao vivo pela mídia local, transcorreu tranqüilamente e tanto Putin como Berlusconi destacaram a "velha amizade" que os une.

O único momento no qual o ambiente se esfriou foi quando uma jornalista russa perguntou a Putin sobre uma suposta relação sentimental com a campeã de ginástica rítmica e atual deputada russa, Alina Kabaeva.

Putin disse que não há uma palavra que seja verdade nessas informações publicadas pela imprensa de seu país e ressaltou que só responderia a "perguntas sérias". EFE cr/bf/ma

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