Berlusconi é pressionado após divulgação de ligações sobre mulheres

Transcrições mostram premiê da Itália se gabando de que 11 mulheres o aguardavam em fila para ter relações sexuais com ele

BBC Brasil |

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O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, voltou a sofrer pressões para deixar o cargo neste domingo, depois da divulgação das transcrições de conversas telefônicas com um empresário que seria um suposto agenciador de acompanhantes de luxo. Nas transcrições publicadas neste fim de semana, Berlusconi supostamente se gaba de que 11 mulheres estavam fazendo fila na porta de seu quarto para manter relações sexuais com ele.

Nos telefonemas, Berlusconi estaria conversando com o empresário Giampolo Tarantini, que, segundo promotores, comanda uma rede de prostituição de luxo.

Oito pessoas foram acusadas de fornecer prostitutas a Berlusconi, mas o premiê não foi indiciado e alega que desconhecia suas atividades.

No entanto, juízes querem questionar Berlusconi como testemunha, já que Tarantini é acusado de tentar extorquir dinheiro do premiê em troca de silêncio sobre as alegações de prostituição.

Promotores de Nápoles, no centro do país, impuseram um prazo até a noite deste domingo para que o premiê comparecesse pessoalmente para depor sobre o caso.

Berlusconi já afirmou que vai comparecer nesta segunda-feira a uma audiência em Milão, onde ele é julgado por supostamente subornar uma testemunha para que mentisse diante da Justiça.

Segundo o correspondente da BBC em Roma David Willey, as transcrições de ligações telefônicas publicadas neste domingo vazaram da Justiça italiana.

Willey afirma que Berlusconi passou o fim de semana em sua residência de luxo próxima a Milão, reunido com seus advogados e assessores políticos.

Cobranças
Integrantes da oposição de esquerda voltaram a exigir a renúncia de Berlusconi. Além deles, pelo menos um integrante da coalizão de governo manifestou seu desconforto com os novos episódios envolvendo o primeiro-ministro.

Neste domingo, o ministro da Defesa, Ignazio La Russa, que faz parte do mesmo partido de Berlusconi, disse que se sente desconfortável com o conteúdo das conversas divulgadas, algumas delas repletas de termos chulos.

No entanto, um aliado próximo do primeiro-ministro disse neste domingo que ele não deixará o cargo.

Angelino Alfano, considerado o herdeiro político de Berlusconi, disse em um comício no norte do país que o primeiro-ministro "não tem desejo de sair" e conta com total apoio de seu partido, segundo informa a agência de notícias AP.

Na noite de segunda-feira, o primeiro-ministro deve viajar a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU.

Processos
Berlusconi é réu em pelo menos quatro processos em curso na Itália, incluindo casos de fraude, evasão fiscal, corrupção e de relação sexual com uma menor de idade - uma dançarina de origem marroquina. O premiê rejeita todas as acusações.

Segundo o correspondente da BBC, Berlusconi disse, em carta enviada ao editor de um jornal de Roma, que não fez nada de que se envergonhe e que existe uma "tentativa baixa" de tornar a sua vida privada um crime.

Além dos escândalos judiciais, Berlusconi está sob pressão devido à sua administração da economia italiana durante a crise da dívida na zona do euro.

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