Berlusconi é eleito primeiro-ministro italiano pela terceira vez

Juan Lara Roma, 14 abr (EFE) - O líder conservador Silvio Berlusconi venceu hoje, pela terceira vez, as eleições gerais realizadas na Itália ao obter a maioria absoluta tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, onde a esquerda comunista ficou de fora pela primeira vez na história da República italiana. Os primeiros resultados oficiais e as projeções de voto do Instituto Consortium para a emissora pública de televisão RAI concedem ao magnata italiano das telecomunicações, de 71 anos, uma ampla vitória, que foi reconhecida publicamente por seu principal adversário, Walter Veltroni, do Partido Democrata (PD). Durante o dia de votação, Berlusconi ficou em sua casa na comuna de Arcore (norte da Itália) com sua família e colaboradores mais próximos. Na véspera de sua primeira entrevista coletiva, prevista para as 12h de Brasília desta terça-feira em Roma, Berlusconi conversou por telefone com a RAI, ocasião em que ressaltou sua vitória e se mostrou aberto a um diálogo com a oposição. O recém eleito primeiro-ministro italiano assegurou que já tem na mente qual será seu Governo, do qual farão parte 12 pessoas, entre elas pelo menos quatro mulheres, e já anunciou alguns nomes. Berlusconi declarou hoje que o ministro de Assuntos Exteriores de seu Governo será Franco Frattini, atual comissário europeu de Justiça, Segurança e Liberdades. Em uma ligação telefônica à rede de televisão italiana A7, Berlusconi afirmou que Frattini é uma pessoa c...

EFE |

A UDC aparece com 5,6% e a Esquerda-Arco-Íris com 3,2%.

Com esses dados, os conservadores conquistaram a maioria absoluta na Câmara (340 deputados), frente aos progressistas, que ficaram com 241 cadeiras.

O restante dos assentos - a Câmara Baixa conta com 630, 12 delas eleitas pelos italianos no exterior - ficará com a UDC, segundo projeções confirmadas pelos dados oficiais parciais.

A lei eleitoral italiana estabelece para a Câmara dos Deputados que a lista ou partido mais votado obtém a maioria absoluta (pelo menos 55%) e que, para ter acesso ao plenário, os partidos que concorrerem sozinhos - caso da UDC e da Esquerda-Arco-Íris - têm que conseguir um mínimo de 4% dos votos.

Por este motivo, a esquerda comunista e ecologista podem ficar de fora do Parlamento italiano pela primeira vez na história.

Segundo as projeções do Instituto Consortium os conservadores teriam ficado com 164 assentos no Senado italiano e os progressistas, com 139.

A UDC obterá duas cadeiras, enquanto a Esquerda-Arco-Íris não conseguirá representação, já que não chegou a 8% dos votos previstos pela lei italiana para os partidos que disputam as eleições gerais fora de coalizões.

Diante deste panorama, o cabeça da Esquerda-Arco-Íris, o comunista Fausto Bertinotti, anunciou sua renúncia ao admitir que foi uma "derrota líquida, de proporções imprevistas".

O líder socialista Enrico Boselli, cujo partido não teve expressão nestas eleições, também renunciou.

Durante a tarde de hoje, Walter Veltroni reconheceu a vitória de Berlusconi, a quem ligou para desejar um "bom trabalho".

O líder do Partido Democrata, legenda que concorria pela primeira vez a um pleito geral, destacou que o resultado obtido é "muito importante" e lembrou que em setembro a diferença em relação ao PDL era de 22 pontos, que "foram sendo recuperados progressivamente".

Veltroni reiterou a "plena disposição" de seu partido para "enfrentar de maneira imediata as reformas institucionais das quais o país precisa", entre elas a legislação eleitoral.

Além da exclusão dos comunistas do Parlamento, outro dado que chama a atenção é o crescimento espetacular da Liga Norte, o partido federalista com tendências racistas de Umberto Bossi, aliado de Berlusconi.

Segundo dados provisórios, a Liga teria obtido 9,3% dos votos na Câmara dos Deputados e 8,2% no Senado, o que, para observadores, a coloca em posição de força perante Berlusconi.

Em sua primeira declaração após o pleito, Bossi disse que as pessoas desejam o federalismo, mas afirmou que seu aliado não será "seu refém". Entre suas prioridades, o líder da Liga Norte citou "pôr fim ao centralismo" de Roma.

A participação do eleitorado italiano neste pleito geral foi ligeiramente inferior à de eleições anteriores, com 80,4%, três pontos a menos do que em 2006. EFE jl/bba/fb

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