Berlusconi é eleito pela terceira vez primeiro-ministro italiano

Juan Lara Roma, 14 abr (EFE) - O líder conservador Silvio Berlusconi venceu hoje, pela terceira vez, as eleições gerais realizadas na Itália ao obter a maioria absoluta tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, onde a esquerda comunista ficou de fora pela primeira vez na história da República italiana. Os primeiros resultados oficiais e as estimativas de voto do Instituto Consortium para a televisão pública RAI concedem ao magnata da televisão privada, de 71 anos, uma ampla vitória, a qual foi admitida publicamente por seu principal adversário, o progressista Walter Veltroni. Segundo esses dados, o Povo da Liberdade, a lista de Berlusconi, que concorreu ao pleito junto à Liga Norte e ao sulista Movimento pela Autonomia, abriu sete pontos de vantagem na Câmara dos Deputados sobre o Partido Democrata (PD), de Veltroni. O candidato progressista se apresentou às eleições em aliança com o partido Itália dos Valores, do ex-juiz anticorrupção Antonio Di Pietro. Apurados 71% dos votos, essa diferença, segundo o Ministério do Interior, era de 8,3 pontos, o que equivale a 46,2% para os conservadores e 38,0% para os progressistas. As duas legendas são seguidas pela União dos Democratas-Cristãos (UDC), de Pier Ferdinando Casini, antigo aliado de Berlusconi, que conquistava 5,4%, seguida da Esquerda-Arco-Íris, a coalizão dos partidos comunistas italianos e dos Verdes, com 3,1%. No Senado, a diferença é de nove pontos, segundo o Ministério do Interio...

EFE |

A UDC obtinha 5,7% e a Esquerda-Arco-Íris, 3,2%.

Com esses dados, os conservadores conquistaram a maioria absoluta na Câmara (340 deputados), frente aos progressistas, que ficaram com 241 cadeiras.

O resto de assentos (a Câmara baixa conta com 630, 12 delas eleitas pelos italianos no exterior) ficará com a UDC, segundo projeções confirmadas pelos dados oficiais parciais.

A lei eleitoral italiana estabelece para a Câmara dos Deputados que a lista ou partido mais votado obtém a maioria absoluta (pelo menos 55%) e que para ter acesso ao plenário os partidos que concorrerem sozinho - caso da UDC e da Esquerda-Arco-Íris - têm que conseguir um mínimo de 4% dos votos.

Por isso, a esquerda comunista e ecologista, pela primeira vez na história, pode ficar de fora do Parlamento italiano.

No Senado, os conservadores teriam ficado com 164 assentos e os progressistas, com 139.

Levando em conta que a lei contempla um mínimo de 8% dos votos para os partidos que disputam sem coalizão, nem a UDC nem a Esquerda-Arco-Íris conseguirão representação.

Perante este desastre, o cabeça da lista Esquerda-Arco-Íris, o comunista Fausto Bertinotti, anunciou sua renúncia, ao admitir que se trata de uma "derrota líquida, de proporções imprevistas".

Walter Veltroni reconheceu durante a tarde a vitória de Berlusconi, ao qual ligou para desejar um "bom trabalho".

O líder do Partido Democrata, legenda que concorria pela primeira vez a um pleito geral, destacou que o resultado obtido é "muito importante" e lembrou que em setembro a diferença em relação ao Povo da Liberdade era de 22 pontos, que "foram sendo recuperados progressivamente".

Assim, falou de uma "grande remontada política e eleitoral", que lhes permitirá levar ao Parlamento "a maior força reformista que já houve na Itália".

Veltroni reiterou a "plena disposição" de seu partido para "enfrentar de maneira imediata as reformas institucionais das quais o país precisa", entre elas a legislação eleitoral.

Além da exclusão dos comunistas do Parlamento, o outro dado que chama a atenção é o crescimento espetacular da Liga Norte, o partido federalista com tendências racistas de Umberto Bossi, aliado de Berlusconi.

Segundo dados provisórios, a Liga teria obtido 9,3% dos votos na Câmara dos Deputados e 8,2% no Senado, o que, para observadores, a colocam em posição de força perante Berlusconi.

A primeira declaração de Bossi foi no sentido de que as pessoas desejam o federalismo, mas afirmou que seu aliado não será "seu refém". Entre suas prioridades, Bossi citou "pôr fim ao centralismo" de Roma.

Casini parabenizou Berlusconi, mas já anunciou que não vai lhe apoiar.

A participação nestas eleições foi ligeiramente inferior à de eleições anteriores, de 80,4%, três pontos a menos que no pleito de 2006. EFE jl/db

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